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Quem me Ofende Meu Amigo Professor quem nos ofende? --Quem tu quiseres que te ofenda. --Eu tenho poder sobre a ofensa? --Tens, quando não sentires mais pena de ti, e sentires que o acto do outro não é importante para ti. Quem se ofende é o ego, porque a essência não está à avaliação da ofensa. «Num antigo mosteiro budista, um jovem monge questiona o mestre... --Mestre, o que devo fazer para não me aborrecer com os outros? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes, algumas são indiferentes, sinto ódio das que são mentirosas, sofro com as que caluniam. --Pois vive como as flores! – advertiu o mestre. --Como é viver como as flores? –perguntou o discípulo. --Repara nas flores – continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim – Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável...mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor das suas pétalas. É justo angustiares-te com as tuas próprias fraquezas, mas não é sábio permitires que os vícios dos outros te importunem. Os defeitos deles são deles e não teus. Se não são teus, não há razão para te aborreceres. Exercita, pois, a tua atenção para rejeitar todo o mal que te enviam de fora. Isso é viver como as flores.» --Professor quem se ofende é mesquinho? --O Ser Humano desconhece o seu Poder. A capacidade de poder ultrapassar e transformar as atitudes mesquinhas e inconsequentes do ego. Por vezes há processos evolutivos que passam mesmo por a doença ser o veículo da transformação. --A ofensa pode converter-se em doença física? --Pode. Existem muitas manifestações físicas, que são a solidificação mais densa das resistências do homem à mudança de atitude perante a vida, e as pessoas nela envolvidas. --E se a atitude mudar, ou seja, não se ofender com o que lhe digam? --A doença dissipa-se. Tudo se altera, nada está cristalizado neste mundo do existir. Nunca permitas que uma ofensa ou uma contrariedade ameace a tua alegria de viver, reage! Mesmo que estejas a perder o sentido da vida, toma consciência de todas as faculdades, de todas as possibilidades que ainda possuis e graças às quais podes continuar a agir, a aprender, a aperfeiçoar-te. Ainda tens uma outra oportunidade para não te ofenderes com tudo, com tudo aquilo que pensaste ser importante, alias, que o ego pensou ser importante. Sente o apelo generoso de forças que não conheces, mas sabes que existem em ti, para melhorar o Amor que deves ter por ti mesmo. A ofensa existe e assume as proporções devastadoras pelo poder que lhe dás. Se não lhe deres poder e atenção, ela perde a força. Se te deixares ir atrás da fraqueza, do desânimo, a ofensa criada pelo ego, terá conquistado mais um inimigo para a sua causa, tu mesmo. Já vistes uma galinha defender as suas crias quando um cão se aproxima?Ela eriça-se, levanta as penas, assume uma atitude ameaçadora para o assustar. O homem deve fazer o mesmo com a ofensa: ser gente, mostrar-lhe que é capaz de não se ofender, não ter medo do agressor, não dando qualquer importância à ofensa, ou seja, devolvê-la para quem a enviou, contudo não ficar com raiva do autor da agressão, mas enviando-lhe Amor. O meu Amigo Professor é um exímio Mestre na arte de bem viver. Ele bem nos ensina...mas a ignorância é ainda muita. O homem diz no alto da sua estupidez, que ele acha que é sabedoria: «Quem não sente não é filho de boa gente»...! O meu Amigo Professor Ama, e quem Ama não se ofende. O meu Amigo Carteiro diz: «Por vezes tentam «ofender-me» dizendo que a culpa é minha porque o correio vem atrasado. Então eu sorrio com Amor e digo-lhes...o correio vem sempre no tempo e no momento certo, e depois retiro-me para me livrar da tentação do ego.» Amigos...até à volta do correio, se o Deus em que eu acredito permitir; mas onde quer que eu esteja, estou bem vivo, por isso não tento não aceitar ofensas, mas também estou atento ao ego, porque ele nunca tenta sempre uma nova oportunidade junto de mim. Crenças Meu amigo Professor o homem chegou ao ponto de rotura com a Energia devido à sua desmedida sede de protagonismo, por outras palavras, substituindo-se à Energia Criadora. Não resta qualquer dúvida que o colapso é iminente. Prova disso mesmo é o aumento das catástrofes naturais, além do agravamento da violência e desordem que proliferam pelos quatro cantos do mundo. Qualquer um que usar um pouco de inteligência compreende que, independentemente das profecias se realizarem ou não, esta sociedade está a chegar ao fim. Porquê? Porque há os que acreditam que a extinção da raça humana está próximo devido a uma inversão dos pólos da Terra. Basta estar atento e ser um bom observador, para perceber, ou mudamos de atitude perante a vida, ou nos destruímos. Por mais paradoxal que possa parecer, isso não é nem um pouco irracional. Se recuarmos no tempo, iremos ver que grandes civilizações entraram em colapso quando atingiram o apogeu intelectual e tecnológico. De um momento para o outro elas desaparecerem da face da Terra, deixando apenas perguntas sem respostas e um grande mistério – quem realmente somos e o que fazemos aqui neste espaço temporário? Professor provavelmente tudo se está a repetir, porquê? --Carlos, o homem está num processo tão básico que ainda não entendeu o seu verdadeiro caminho. Ele usa a mente ao serviço do egoísmo mesquinho, para alimentar o ego manipulador, que mata para chegar ao topo da pirâmide da ignorância. O mistério está envolto em camadas sucessivas de equívocos sobre a verdadeira origem do homem. --E qual é a sua verdadeira origem? --Se está envolvida em equívocos, como é possível saber a sua origem? Foi dado ao homem no seu estado de inocência a sua verdadeira identidade, que faria dele o seu próprio mestre, sem ter de recorrer a cábulas. --Que cábulas são essas? --São todas as crenças que ele criou à revelia da verdadeira criação. As crenças são cábulas escritas com a mão do ego, e que deram forma às muitas religiões que se têm multiplicado na ânsia de agradar ao ego. Não é por acaso que os maiores santos criados pela crença do homem, se transformaram nos mais egocêntricos seguidores da causa. As cábulas são cópias falsas criadas pelo ego, pela falta de Amor para com o outro ser humano. Todas as civilizações anteriores têm usado a mesma cábula, ou seja, criando barreiras espessas entre a sua falsa identidade, e a que não está escrita nas cábulas da crença. A verdadeira origem do homem não está escrita numa cábula, mas numa consciência que não alimenta superstições, venham elas de onde vierem. --Queres dizer que as crenças destituem o homem do verdadeiro poder? --Elas são o suporte ilusório do seu poder. Crença é o desalinhamento com o plano cósmico, é uma farsa que despoja o homem do verdadeiro sentido da vida. --Mas dizem que o homem é crença expressa. Isso é bom ou mau? --Não é bom nem mau. Porque a um nível mais profundo da alma esse conceito de bom e mau não existe. Ele só existe porque lhe deram forma e substância. O cosmos e a sua Energia Criadora a que chamam Deus, não está dependente de uma teoria básica de crenças, mas sim de um profundo estudo a ser realizado pelo homem dentro dele mesmo, e por ele mesmo. Tudo o resto não passam de conspirações contra o próprio homem. --Mas quem é que conspira contra o homem? --Quem está próximo dele... ele mesmo. --É por isso é que ele sofre? --O sofrimento tem imensas camadas para proteger esse mesmo sofrimento, para que o homem através da crença não se liberte das amarras que o prendem ao equívoco, à expiação da culpa. Só a consciência tem o poder de retirar as fórmulas de dependência criadas pela crença. --Quando é que ele se vê livre das crenças? --Quando se libertar da rocha à qual está preso, ao castigo de ser eternamente uma cópia. --Uma cópia! --Sim uma cópia feita de cábulas. É por isso que o homem reage com medo de perder a vida. Esse pânico faz com que ele alimente o culto da morte. O ser autêntico não está dependente da morte, somente da vida. O meu Amigo Professor bem tem tentado ensinar o homem a não ser uma cópia de si mesmo, a ser autêntico. Mas é uma tarefa desgastante, porque o homem teima em se substituir à Energia Criadora, criando cada vez mais dependências na ânsia de saber quem é. A cópia, o homem à imagem do ego está no papel, o autêntico está na luz. O meu Amigo Carteiro diz: bem quiseram que a minha "cama" estivesse voltada para o sitio que eles achavam que devia estar, mas eu como não sou cópia, durmo na montanha. Amigos...até à volta do correio, se o Deus em que eu acredito permitir; mas onde quer que eu esteja, estou bem vivo, por isso não sou uma cópia.
Ventos de Mudança ...há muito Anunciados «Feliz aquele que lê e escuta...está escrito...pois o tempo está próximo.» Meu Amigo Professor, será que o homem está consciente que a mudança há muito que está no seu caminho? Carlos tudo está escrito no livro da Sabedoria do Mundo, numa memória imaculada, não poluída. As corridas através de uma ganância exacerbada já não servem mais o propósito do poder aparente. Tudo isso não foi mais do que o produto de um ego descontrolado que teve uma visualização errada sobre a vida iludindo o homem. O propósito hoje é aprender a visualizar de modo radioso, ou ver interiormente sem a ilusão do que foi no passado, e colocar-se no meio do acontecimento visualizado, para criar a realidade da sua visão sem ego. Devemos voltar-nos para dentro à medida que aprendemos a conectar-nos com uma realidade maior...Estás a falar da alma? É nessa consciência que o verdadeiro poder prevalece. O caudal da fonte do amor, poder e resplendor estão nessa área da consciência, uma percepção de intenção pura, um contacto com o infinito, num mundo limitado ainda pela visão superficial da vida. Como se chega a essa consciência? Atraindo a energia através da consciência do Amor. É preciso que o homem assuma o braço vertical da incarnação, o caminho da Luz, para criar ao seu redor, a alegria e felicidade da mais elevada expressão do Amor, e tudo e todos que o cercam serão beneficiados por essa Luz. Ele está ser levada pelos ventos de mudança, para uma expansão de consciência que através da sua ascendência divina crescerá, e, se expandirá à medida que absorve e irradia uma maior quantidade de energia. Começa a viver uma realidade maior quando alcançar a iluminação espiritual com um sentimento de alegria e Amor. Queres dizer que o homem ainda não sabe o que é Amor? O amor é uma consciência poderosa e natural. O amor puro é integral, é uma consciência que não pode ser distorcida pelo mundo limitado das circunstâncias. Possui qualidades e sentimentos que ainda não conhecem, porque ainda não amam. O amor na sua essência é uma linguagem do Espírito e é o único meio de comunicarem com o Deus em que acreditam. A dor e o sofrimento são o resultado da incapacidade de Amar. O amor expande, o medo contrai. Quando estiverem centrados dentro da vida, transcenderão todas as principais dissonâncias. Começaram a viver a verdade sem máscaras, serão compelidos para falar sempre de maneira construtiva. À medida que removerem as máscaras do poder aparente dos fracos, poderão conectar-se aos reinos superiores da consciência. São estes os ventos de mudança? Não importa explicar o que está acontecer no universo, porque ainda não compreendem a grandeza do que está ocorrer na Terra. Essa tão poderosa energia, está a penetrar gradualmente afectando os recantos mais distantes da criação humana. A consciência divina está sempre em expansão, sempre evoluindo, interminavelmente.O que acontece às religiões, que têm lutado ao longo da sua existência pela sua verdade? Todas sem excepção contêm regras autoritárias, orientações e condições que são alteradas constantemente e reescritas por aqueles que estão no poder dos fracos. Falaste duas vezes no poder dos fracos, podes ser mais específico. No passado como no presente, o homem tem sido controlado e manipulado por líderes religiosos que constantemente usam a punição e a condenação para os que não seguem os seus ensinamentos. A sua teoria diz que o seu caminho é o único que conduz à redenção e que apenas através deles podem receber a absolvição. Procuram mantê-los em total obediência sem direito a contestação. Podes dizer-lhes que esta não é a vontade de Deus, mas a vontade dos que pelo poder, ódio, mesquinhez e ignorância ofuscam a consciência do Amor, a fim de limitar a emancipação espiritual do homem. Há muitos caminhos que conduzem à Iluminação. A espiritualidade não exige rituais ou crenças, é um modo de viver a verdade mais elevada com veneração sincera. O homem adquire mais confiança à medida que explorar o desconhecido. Professor a Terra vai ser destruída? Os ventos de mudança trazem consigo grandes revelações para a humanidade, para retornar ao equilíbrio e à harmonia, tanto interna quanto externamente. As mais dramáticas mudanças estão a acontecer dentro dos corações dos homens. Aqueles que já estão a trabalhar para integrar a Luz da Cura através do Amor, estão no caminho do grandioso novo mundo de plenitude, vivendo em harmonia consigo e com a natureza. A riqueza excessiva de bens materiais não traz paz, felicidade ou satisfação. É preciso que busquem a harmonia e a unidade interna com o Eu Superior, só assim a consciência do Amor abre as portas à mudança, aos ventos que sopram no silêncio do caminho. O meu Amigo Professor deu mais uma aula de transmutação; sair da limitação da forma para atingir uma consciência que integre tudo, e todos. A mudança há muito que está anunciada, embora a tentemos adiar, dizer que ainda não chegou o tempo, e outras coisas mais. O certo que já nada é como dantes, queiramos ou não entender. O meu Amigo Carteiro já passou por muitos processos de transformação. Cada vez que assume uma nova forma, distancia-se dela, daí que nada exterior lhe pertence. A sua paciência ainda mexe com o meu ego, porque ainda não entende a sua forma de estar na vida. Amigos...até à volta do correio, se o Deus em que eu acredito permitir; mas onde quer que eu esteja, estou bem vivo.
A Crise e os Dez Mandamentos «A Lei serviu para criar uma divisão entre o povo de Israel, e os outros povos que não estavam sujeitos a ela. » Meu Amigo Professor, que leis complicadas os homens criaram. Como pode esta lei funcionar se ela serve para separá-los e não uni-los! Será que estas leis foram dadas a toda a humanidade, ou somente ao povo de Israel? Qual a razão desta lei? Será que ela foi apenas o pretexto de isolar os homens, para que o homem tivesse domínio sobre o outro homem? Carlos vamos rever o que foi transmitido por Moisés. Primeiro Mandamento - Não terás outros deuses diante de mim. Qual é o Deus que ele está falar? Será que se referia à sua autoridade como portador das leis para poder dominar e manipular o seu povo... sem Amor? É por isso que ainda hoje toda aquela região vive desunida, e de algum modo contagiou outros povos a seguir a mesma divisão. Quando criares dentro de ti uma estrutura enraizada na terra, não te prostrarás diante falsos deuses. Segundo Mandamento - Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos. O que mais o homem tem criado ao longo de séculos de ignorância sobre a sua essência são imagens esculpidas por mãos humanas, às quais se inclinam em obediência com medo de serem castigados pelo hipotético Deus que criaram. Aqui ele diz, ou segues os mandamentos ou serás amaldiçoado para todo o sempre. E diz mais, que só usará misericórdia com aqueles que seguem os seus mandamentos. Este mandamento não é mais do que a criação do bem e o mal. O bom têm um céu à sua espera, e o dito mau, um inferno em chamas. Quando entendes que de um ventre de uma ousada mulher tu vieste à vida, não mais irás precisar de imagens de pedra para venerar. Porque esse é o milagre da vida que imagem alguma pode substituir. Já não anseias o céu, mas também não te preocupa o inferno. Terceira Mandamento – Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão. Não são todos inocentes, não nasceram todos em estado de inocência! O que esta lei diz é que perdes a inocência se usares o seu nome em vão. Então as religiões estão em pecado, segundo os fazedores de pecados, porque elas usam e seu nome para manipular a inocência do homem. Mais uma separação entre bons e maus. Quando o sentes o Deus em que tu acreditas em forma de energia dentro de ti, não precisas de usar o seu nome, Ele já lá está. Liberta a ansiedade e o medo e o encontrarás. Quarto Mandamento – Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharão, e farão todo o trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou. Aqui ele cria claramente o direito de autoridade sobre o outro homem, em nome do culto da santidade. O homem não é um santo, porque não é um ser perfeito. Mas é por inerência religioso, que nada tem a ver com religiões organizadas por homens. Aqueles que quiseram ser perfeitos e virtuosos tornaram-se egocêntricos, na sua ânsia de agradar. Todos os dias são divinos, são sorrisos no caminho do homem. Cada um fará do seu dia o que bem entender, essa é a liberdade do filho do Homem. Quinto Mandamento – Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Um pai e uma mãe são para Amar sempre. Se eles não te derem nada, só trazerem-te à vida é por si só um agradecimento eterno. O homem não está dependente de Amar os seus pais para viver mais ou menos anos. Ele tem que ter é a consciência do Amor, da maneira como exprime por palavras doces o que quer dizer ao outro. Os mais ou menos anos que vivem no vosso espaço temporário não está dependente desta lei absurda, mas sim do acordo que estabeleceram onde não há espaço nem tempo. Sexto Mandamento – Não matarás. Então porque razão Moisés usou a lei do olho por olho dente por dente . Não será isso matar! Não será isso fazer justiça por suas próprias mãos, quando na realidade há uma lei imutável para todos os homens que ultrapassa a razão do homem! Ele esqueceu-se que a lei do homem, e esta é uma lei do homem, é inconstante, daí que a punição não é ele que a faz, é a própria vida que no momento da sua fragilidade faz cumprir o que o homem não tem capacidade para julgar. O homem não pode matar uma vida, somente a forma morre. A vida renasce sempre das cinzas, porque o homem é por inerência divino é eterno. Sétimo Mandamento - Não adulterarás. O adultério não é apenas fazer sexo com a mulher do próximo, porque até pode ser um acto de Amor. O adultério é fazer sexo com uma mulher ou com um homem sem Amor. Os casais que praticam o sexo somente por sexo, deturpam um acto maravilhoso que deve ser um êxtase de energia, e não um acto carnal sem qualquer sentido de afecto. No tempo de Moisés a mulher era condenada à morte por cometer adultério. Mas o homem ficava impune do acto em si. Ainda hoje esta lei funciona em culturas desumanizadas sem o sentido do verdadeiro Amor, que até pode passar por fazer sexo com outra mulher, ou com outro homem. Porque se querem cumprir esta lei obsoleta, ela teria de ser igual para todos. Quando se Ama verdadeiramente não é necessário procurar uma outra mulher, ou um outro homem. Oitavo Mandamento – Não furtarás. Ninguém rouba nada a ninguém, porque tudo o que existe nesta vida é transitório. Os que roubam pensam que o conseguiram iludir o outro homem, mas não iludem a vida. Ela se encarregará de retirar o que roubou. Este mandamento aplica-se ao Vaticano, quem mais tem saqueado ao longo de séculos os incautos caminhantes senão eles! Não só têm saqueado bens materiais, com também se apropriaram da alma humana como os benfeitores da humanidade. Mas também se aplica aos gananciosos que causaram a crise do mundo actual. Nono Mandamento - Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Os que querem subir as escadas do poder são hábeis neste jogo de maledicência humana. A falta de conhecimento do homem sobre a sua verdadeira identidade, cria a luta do julgamento do homem contra o próprio homem. Décimo Mandamento - Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. A inveja é a arma do poder aparente dos que vivem da cobiça alheia. Se o homem soubesse o mal que faz a si mesmo – o invejoso – não perderia energia a ambicionar o que não lhe pertence. O que pertence ao homem? Somente a sua experiência de vida. Carlos todos estes mandamentos foram feitos por homens, não é mais do que um mero parecer de um homem, por isso mesmo Moisés foi vitima das suas próprias palavras, cometendo actos bárbaros para fazer cumprir a lei. Ele foi legislador dos principais líderes religiosos. Aos quarenta anos matou um feitor e fugiu para não ser condenado à pena de morte. Segundo se diz que ele disse, recebeu as Tábuas dos Dez Mandamentos de Deus, escritos pela mão de Deus, que depois aumentou em seiscentas leis, mais uma vez por mãos humanas. Que eu saiba Deus não sabe escrever, a alma não escreve, só sabe sentir. Por isso isto é mais uma falácia que se tem prolongado no tempo, e pelo excesso de tempo se transformou na verdade dos homens. Daí que as crises dos homens se têm sucedido até aos dias de hoje. Professor quem lhe deu então esses mandamentos? O Moisés disse que foi Deus...! E tu meu Amigo Professor o que dizes? Ah...eu vejo tudo isso em distanciamento. O meu Amigo Professor fala a língua dos sábios usa o silêncio. A crise não é de hoje já é ontem, de um passado cheio de crenças, medo, superstição e outros meios que desuniram os homens. A lei dos dez mandamentos é uma lei retrógrada com mais de seiscentas regras, que fomenta o medo e o desejo de perpetuar o que Moisés diz ter sido escrito por Deus. Para ultrapassar a carência afectiva do homem – porque é disso que trata a crise actual e do passado – à que libertar todas as leis que o prendem à iniquidade de escritos que são retóricas para meninos que anseiam ser bem comportados. Mas o homem não é um ser perfeito. Não tem que ansiar por sê-lo pelo ter, mas sim pelo Ser, e o Ser desmistifica todas as leis criadas pelo homem com o hipotético aval de Deus. Para que a libertação seja autêntica, à que "matar" o Deus que foi criado à revelia do Ser. Só então o homem pode reactivar o verdadeiro Deus que nada escreve, mas que está no silêncio do caminho para ajudá-lo a ser gente, ajudá-lo a evoluir como homem, e não como um coitadinho que ainda precisa que lhe escrevam leis, porque não sabe quem é Deus. É então que o homem substitui todas as leis e os deuses criados na ânsia de agradar não se sabe bem a quem...pelo Amor. A única lei que não precisa de mandamentos nem de religiões, porque ela em si mesmo é a razão da existência do homem, da união com o outro homem, onde todos somos Um, sem qualquer exclusão, sem medo de não conquistarmos o Deus de Moisés. O meu Amigo Carteiro diz, que nunca acreditou no Deus do homem limitado pela sua carência afectiva. Diz que o seu Deus é impessoal, mas que pertence a todos que o procuram, e quando o encontram Ele deixa de ter nome. Ser Líder «Só acorda que tem a consciência que está em sono profundo.» Meu Amigo Professor, o homem não resiste à tentação de ser líder, de ser dono e senhor absoluto do outro homem. --Carlos um verdadeiro líder recusa sê-lo. Porque ele sente o perigo que ameaça a liberdade do outro homem, ao tornar-se um puro objecto de admiração, alimentando a esperança e a salvação do outro que não sabe quem é. --O que um verdadeiro líder? --Um verdadeiro líder teria que aprender a voar como os gansos em formação, em V de vitória. Assumiria o comando temporário do bando, porque estaria em melhores condições no momento para o fazer. Mas quando sentisse que as suas forças estavam a fraquejar, daria lugar a outro para que também durante algum tempo pudesse liderá-lo.. Mas sempre com a atitude o de guiar, levando-o a sério e deixando que ele se liberte por si mesmo. Um líder que voasse em formação teria certamente lido a história de Cristo, e por experiência própria não em teoria, teria aprendido que as pessoas alimentam Cristos nos baús da ignorância para que sejam promovidas ao céu em proveito da redenção, sem que elas mesmas movam um dedo para o fazer. A partir da sua própria experiência de voar em formação, um líder saberia que tornar-se um líder de seres com estruturas de pedintes não é fácil, por isso a tentação de poder é muita, é tal que ele tem que rever muitas vezes o seu plano de voo, para não cair no erro dos lideres que não sabem voar integrados numa sociedade. Ele seguiria o seu caminho levando o seu bando em segurança, sabendo que o bem-estar deles estaria sempre em primeiro lugar, enquanto as forças o permitir, porque sabe que outro o poderá substituir, sem alterar a forma de voar do bando, permaneceria imóvel no seu lugar. Não criava promessas expectativas e programas que não estivessem ao seu alcance, ou seja, não seria um mentiroso compulsivo. Ele exercitava a consciência da honestidade com o bando, alguns ainda ligados ao passado de lideres mentirosos que lhes prometiam o céu sem trabalho, ficariam silenciosamente desapontados, mas não tentam nada para efectuar uma mudança, pois tudo isso estava de acordo com o seu estado de adormecimento, o qual continuará até que apareça um líder do passado. Esse líder seria também uma vítima das necessidades dos que não querem acordar, dos que estão à espera da salvação e das promessas de um céu na Terra. Esses lideres são produto do passado, ou seja, de bandos que apenas voam pelos seus interesses, e não em prol do bando, não sabem voar em formação, Eles entusiasmam-se pelo anseio alheio, prometendo-lhes tudo para serem os eleitos do bando. São seduzidos a prometer-lhes tudo o que eles desejam ouvir. Absolutamente ingénuo o bando acredita ser possível dar mais do que se pode receber. No passado erigiam catedrais para atrair o bando, alguns ficaram presos nessas masmorras de intemporalidade, os mais audazes continuaram a voar em formação, em liberdade. Os líderes do bem alheio, fazem crer que só eles podem conduzir e dirigir o bando, só eles os podem salvar dos predadores à revelia do bando. Só que eles são os próprios destruidores dos bandos que voam em formação. Alguns seres do bando não têm consciência de que o céu dispõe de uma liberdade total para voarem em formação, totalmente livres de pressões venham elas de onde vierem. Foram abocanhados por uma corrente de um rio tumultuoso, mas continuam a acreditar que são eles que fazem o rio fluir. O bando começa a voar cada um por si, passam a ser apenas marionetas que voam isoladas do bando, agem como as vítimas de uma sociedade de seres corruptos. Um líder que não é deste tipo, levaria o bando a conhecer tudo pela sua própria experiência pessoal. Não se deixando seduzir nem conduzir pela veneração do semideus compassivo. Sentir-se-ia de algum modo esvaziado da obsessão de querer ser líder, deixaria que a seiva da vida lhe mostrasse como é um líder natural, um líder temporário. Ser líder natural que deseje cumprir a sua função, tem de saber como trabalhar, como realizar uma tarefa; entender as coisas práticas da vida; como construir uma casa; como tratar de um ferimento; como aliviar a ansiedade sufocante de um ser do bando; ajudar as famílias; conduzir um comboio; fazer da pedra dura mole; acarinhar uma árvore; pintar um quadro; plantar uma árvore; ter filhos; saber decifrar o enigma de uma doença, e outras coisas práticas da vida. Em suma o líder do bando, saberia como voar em formação e o que realmente significa voar. O meu Amigo Professor como sempre dá-nos as lições de vida, só que estamos tão ocupados a ser lideres do vazio, que nem damos conta que existem bandos a voar em formação, a voar sem liderar. O meu Amigo carteiro diz que sempre voou em formação, umas vezes vai à frente e outras atrás, tudo isso nos ensina, diz ele: a sermos humildes. Amigos até à volta do correio se o Deus em que acredito o permitir, mas onde quer que eu esteja, estou vivo.O Despertar do verdadeiro Feiticeiro «Essa hora virá sobre o mundo inteiro, para colocar à prova os habitantes da Terra.» Apocalipse 3:10 Meu Amigo Professor, ao longo dos tempos muitos Mestres Feiticeiros têm vindo transmitir os seus ensinamentos. Que ensinamentos são esses? --Que todo o homem nasceu para ser feiticeiro, ou seja, usar os conhecimentos que estão para além do tempo e do espaço. Que há tantos caminhos quantos são os feiticeiros. Vieram ensinar a desmontar a complexa máquina da automatização da sociedade dos feiticeiros adormecidos. Tiveram a coragem e a ousadia de ser diferentes, porque usaram a arte e a magia de serem imprevisíveis. Os feiticeiros comuns são previsíveis, repetem rotinas através da automatização de uma mente racional e previsível. Tudo o que é imprevisível à mente racional, rejeitam. São tão previsíveis que constroem um céu e uma terra em areias movediças, fazendo imensos planos destituídos de qualquer consistência. Os feiticeiros do passado também tentaram construir esse céu e essa terra, também fizeram muitos planos – mas esses planos atrapalhavam os planos que esvoaçam acima da mente previsível de um feiticeiro. Mas quando voavam acima dessa mente, deixavam-se conduzir pelas suas vassouras de cristal. Só tiveram que esperar o momento certo para que a sua vassoura de cristal avançasse em direcção à sua ilha mágica, o grande objectivo da sua missão. No entanto nenhuma vassoura de cristal ali teria ali chegado se os feiticeiros não tivessem cuidado dela. Para que o feiticeiro siga o caminho certo, deve manter a sua vassoura de cristal acima da mente previsível, e mantê-la em perfeita ordem para que ela possa chegar à tão desejada ilha mágica. Ao ganhar a força para poder voar acima da ilusão, já não terá dúvidas do seu caminho. O feiticeiro tem de tratar bem a sua vassoura de cristal; mantê-la limpa e a brilhar; disciplinar os feiticeiros intrusos que querem tomar conta da sua vassoura, contudo sem ser rigoroso. Chegará então o dia que vai encontrar a sua ilha mágica, e não hesitará em reconhece-la quando a encontrar. Um projecto tão grandioso não tem tempo nem espaço, porque exige do feiticeiro uma inteira libertação daquilo que é previsível. Os que estão automatizados e em sono profundo fazem rituais para mostrar ao exterior que são fiéis a esse tempo e espaço, que estão presos a ele. É o modo de levar o feiticeiro à consciência que está dentro de uma prisão, que ela é a dona da sua liberdade. Uns tentam através das religiões e das filosofias desprenderem-se dessa prisão, outros seguem magias e iniciações secretas e obscuras para não estarem limitados por ela. Mas só o feiticeiro que voa acima do que é previsível, consegue libertar-se dessa prisão limitadora e castradora que é o tempo e o espaço. Se o feiticeiro não fizer qualquer esforço para se libertar dessa prisão, ele se libertará naturalmente dela, quando em liberdade voar acima da mente previsível, através das suas próprias experiências. Quer dizer que, a recompensa da ilha mágica surge no momento em que o feiticeiro já não precisa de fazer qualquer esforço para lá chegar. Como é possível tomar essa consciência? As experiências acontecem todos os dias dentro dele mesmo – é a sua experiência diária. Se ele não limpar diariamente as sementes que os ventos trazem para dentro da sua vassoura, ele corre o risco que essas sementes se multipliquem e fiquem fora do seu controle. Mas como ele não controla nada, nem se apercebe que na sua própria vassoura estão a crescer plantas indesejáveis à sua própria evolução. Tudo isso acontece para que tome consciência que tem todas as condições de encontrar a sua ilha mágica, e de atingir em liberdade a plenitude dessa ilha. É preciso que sinta que todos os meios que ele até ali tem usado para evoluir, não passam de meios subtis e obscuros para encontrar a sua ilha. Eles não passam de construções arquitectadas pelo ego que lhe diz – que é dono e senhor da sua vassoura de cristal e que o leva à ilha mágica. Só quando o feiticeiro sentir que a vassoura de cristal lhe pertence, e que a ilha que o ego lhe quer dar não é mais do que a pura ilusão no tempo e do espaço, ele começará a pacificar os muitos desejos do ego, e, finalmente acordará do seu longo sono. Encontrará finalmente a sua verdadeira ilha mágica, que ego algum lhe poderá dar. Começa a entender que o poder previsível do ego apenas corrompe e destrói. Sente então dentro de si a Paz que a verdadeira ilha mágica lhe transmite. Abandona definitivamente a ansiedade de ter conhecimento, para finalmente o obter. Vai dar-se si próprio para encontrar o verdadeiro Amor, que só a ilha mágica conhece. Só quando a sua vassoura de cristal chegar em liberdade à ilha mágica, ele entenderá que o caminho entre ele e o Grande Mestre dos mestres, está mais próximo do que nunca. Vive então sem qualquer ansiedade o grande momento da sua longa espera, que é entender que o que existe na ilha mágica é alguma coisa à qual ele entende, não ser nada. É quando na realidade ele começa a Ser tudo. Chegar à ilha mágica do Ser é fácil, só as circunstâncias que estão à sua volta impedem o feiticeiro de encontrar o Ser. Só quando o feiticeiro em liberdade voar na sua vassoura de cristal acima da sua ilha mágica, ele é dono de si mesmo. Na ilha mágica todos voam em liberdade. --Obrigado Professor por esta aula de metáforas puras, que só a magia de um verdadeiro feiticeiro sem ego entende. O meu Amigo Carteiro diz que sempre foi um feiticeiro discreto, porque usa o truque do disfarce para não lhe matarem a forma. Cristo e Buda também eram mestres feiticeiros, mas deram muito nas vistas, por isso mataram a sua forma. Amigos até à volta do correio se o Deus em que acredito o permitir, mas onde quer que eu esteja, estou vivo.O que Vejo da minha Janela «O homem que está liberto de religiões e de outros sistemas de morte, tem a possibilidade de se conhecer melhor a si mesmo, e de viver uma vida saudável e repleta de Amor.» Meu Amigo Professor à distância do tempo que persiste em contar os seus dias, lembro as nossas conversas nos maravilhosos Jardins de Sabedoria. Nele havia imensas oficinas de trabalho, uma delas, a oficina das Artes da Vida onde tu nos ensinavas a arte de viver, dizias tu meu Mestre: "que saber viver era uma arte a ser trabalhada por nós." Recordo os momentos desses ensinamentos com profunda nostalgia. Ali não existiam calendários a marcar-nos o tempo, tudo fluía ao mesmo ritmo de um universo inteligente. Aqui vive-se ao ritmo dos ponteiros afiados de um calendário nervoso, mostra que mais um ano está a terminar, mais um ano em que fico mais velho em idade neste canto do universo. Melhor seria que vivêssemos sem calendários, tendo apenas os anos que sentimos que temos, seria certamente muito melhor. Evitava para os que vivem em função dos anos, uma velhice prematura dominada pelo medo da morte, do desconhecido, ainda para muitos. O ano deste velho calendário humano está a terminar, e da minha janela de vidraças largas que apontam o infinito, descortino a gente que se movimenta num vai vem de encontros e desencontros com a vida, com as experiências, e com o Amor. Da minha janela vejo os que pela ganância dos seus muitos desejos, separam os homens dos homens, que numa insaciável luta pelo poder, se digladiam até à morte para ver quem controla quem. O egoísmo faz deles criminosos sem escrúpulos, que matam o bom e o belo do sonhador. Mas são os sonhadores que seguram o mundo na sua órbita. Que seria de nós se não sonhássemos? Da minha janela vejo governos guiados por homens sinistros, a tentar ocultar o inevitável, a proteger não os povos que os elegeram, mas os que criaram as crises, pelo egotismo e ânsia da sua desmedida avidez pelo poder das coisas efémeras. Da minha janela vejo homens de semblante mal-humorado, que só se riem quando querem vender a sua imagem aos que dependem dos seus falsos milagres, usando túnicas fantasiadas pela ostentação, e calçando sapatinhos da mais genuína pele do cordeiro, de cordões de ouro elaborados pelos melhores artesões do reino, que falam de sacrifício e fome, mas não abdicam do luxo, e das muitas aberrações que ainda chocam os que ainda acreditam neles, ou então, fecham os olhos para fazer de conta que acreditam. Da minha janela vejo as guerras dos homens por coisas, terras, inutilidades, que matam a forma, mas que nunca podem matar a essência. Porque no fim eles matam-se mas fica tudo na mesma. Será que eles não entendem que a morte do seu irmão de percurso, não resolve o conflito que está dentro deles? Com tantos séculos de idas e vindas, reentradas e saídas, religiões, governos, guerras, santos feitos pela mão do homem, e ainda não apreenderam que o Amor é a chave da vida, e não as lutas que travam pelo nada! Da minha janela vejo um jovem que agride a sua própria carne por uma alucinação efémera. Talvez porque não se Ama; talvez porque um cheque não chegou no tempo que ele esperava que viesse; talvez porque nunca teve afecto, nunca teve Amor; talvez um Amor não entendido, não aceite; talvez… tanta coisa… Pergunto a mim mesmo meu Amigo Professor porquê esta violência contra a própria carne? Sim porque embora eu não queira ver porque me dói, entendo que também ele é um ser humano como eu. Eu também ali podia estar, se os meus “Amigos” não me ajudassem em momentos de desespero, em situações que queria certamente não estar a viver, porque o meu orgulho não permite que eu seja fraco. Mas fazer das fraquezas força é um acto de um verdadeiro homem de conhecimento, que não abandona as suas lutas internas, num momento efémero de fraqueza. Mas o espaço que separa um acto do fazer, e, o do não fazer, é muito ténue. Por isso eu revejo-me naquele ser com muita compaixão, porque eu podia estar no seu lugar. Da minha janela vejo o meu vizinho ostentar riquezas, riquezas que muitas vezes condeno, pelo simples acto, de criticar, e julgar gratuitamente, o que não conheço, ou até mesmo ter inveja dele, por não ter como ele. Não vale a pena esconder-me na falsidade do bonzinho que eu sou, enquanto que o meu irmão de percurso não presta, porque aquilo que mais condeno nele, é aquilo que o meu orgulho não quer assumir. A inveja é o caminho dos derrotados da vida, que incriminam e responsabilizam sempre os outros, pela sua dita desgraça. Mas não têm a coragem de se olhar ao espelho, e ver a sua verdadeira imagem sem máscaras. Criticamos muitas vezes quem tem dinheiro, porque não o temos com eles. A riqueza sempre foi muito criticada por algumas religiões, que fizeram do homem o pobre coitadinho, dando com mau exemplo Cristo. Deram a entender que Ele era um coitado, e que seria uma virtude ser pobre, daí que criaram um Cristo com ar de infeliz, e ainda por cima morto. Cristo não era pobre, era rico, mesmo muito rico. Ele continua bem vivo, para mal de algumas religiões que o querem manter morto, porque assim dá menos trabalho, ou seja, não o ter de matar de novo. O Cristo vivo é rico, dono de uma abundância baseada no ser, e não no ter, que os invejosos tanto apreciam. Não há virtude alguma em ser pobre. Pobre é o invejoso que quer o resultado de um trabalho muitas vezes árduo do seu irmão de percurso, mas não quer ter o trabalho de o fazer por si mesmo. Por isso condena e inveja os que têm em abundância. Será que já não fomos invejosos? Ou na realidade ainda somos? Cada um responderá na consciência que tem hoje, a esta subtil pergunta. Da minha janela vejo um homem a justificar-se, perante uma plateia ávida do sangue do cordeiro. A sua história é muito simples, mas que a ignorância perante as leis da vida engrandeceu. Ele era padre, e conheceu uma jovem pela qual se apaixonou, casou e teve um filho. Até aqui tudo normal para mentes normais. Um homem e uma mulher casaram e tiveram um filho, se foi antes ou depois do casamento pouco importa. Agora o que se levantou naquela plateia foi uma voz que condenava o padre porque era um sacrilégio o que ele tinha feito, dando voz ao papagaio que vive dentro dela, ou seja, ao célebre pecado. Para eles tudo é pecado, até mesmo ser padre casar e ter filhos. Claro que seria melhor que ele fizesse como certamente muitos padres fazem, fazer filhos sem que se saiba quem é o verdadeiro pai. É preciso é que o "circo" continue para haver pecadores, se não correm o risco com a crise, de fecharem as suas portas, fechadas há muito. Para mim ele é um homem de coragem, porque mesmo com tantas adversidades que os seus antigos patronos lhe causaram, porque não lhe perdoaram a infidelidade cometida segundo as suas retrógradas leis, ele assumiu a relação com a bonita e bela moça, que segundo as suas palavras, era muito graciosa, talvez a mais bonita lá dos seus sítios. Ele é padre mas o bom gosto não é pecado na sua religião, a não ser, que o faça publicamente. Somente uma palavra vem à minha mente, cinismo puro, envenenado por uma consciência fragmentada, por isso eles não vivem no Amor, mas na frustração de não se identificarem com o divino. O divino não diz que eles não podem casar, que não podem ter filhos, aliás o divino apenas diz: "que cada um faça o que quiser e seja feliz." Da minha janela vejo a falta de Amor do homem para com o outro homem. Homens que maltratam mulheres, que maltratam crianças, que se maltratam a si mesmos. E mais uma vez me interrogo porquê? Será o defeito das minhas vidraças que apenas vêm o mal? --Carlos ouvi sem te interromper o que tu vês da tua janela. Ela está embaciada pela respiração da tua emoção, que vê tudo à luz de uma realidade objectiva que não conhece o outro lado da janela. O outro lado da janela é o outro da vida, onde tudo o que viste tem outra dimensão, uma grandeza de experiência, não de perturbação que a mente faz criar em ti um sentimento de culpa, pelo que te foi dado a ver ao nível de uma mente racional e objectiva. A esse nível sentes-te mal, culpas-te porque os outros sofrem e tu nada podes fazer por eles. Vem ao de cimo a inveja; o ciúme; o ego; o poder aparente ; as frustrações; o desamor. Mas se limpares o bafo que a tua emoção projectou para as tuas janelas, a visão sobre as experiências de cada ser humano passam a ser diferentes. Todas as religiões viveram uma verdade, a verdade de um homem. Se o homem for capaz de aceitar essa verdade como circunstancial, ou seja, como um acto natural de provocação no seu caminho de iniciado, terá aprendido que não necessita delas para se aproximar da sua essência. Volta à tua janela, distancia-te dela. Deixa um espaço intermédio entre ti e a janela. O que vês agora? --Vejo crianças a brincar; vejo a alegria; vejo sorrisos abertos; vejo aquele ser que se maltratava a correr atrás de uma borboleta; vejo jardins que não têm fim; vejo as experiências somente como experiências; vejo a parte feminina e a parte masculina num todo que forma o homem, que não é masculino nem feminino; vejo somente Luz e Amor. --Como vês, o bafo da emoção impedia-te de ver o bom e belo da vida, de ver como o universo está integrado na vida do homem. A lei do distanciamento ajuda-te a não embaciar as tuas janelas, a distanciar-te das tuas emoções mais primitivas. Só então encontras o Amor, como tu disseste e bem, a chave da vida. Ela recebe a morte como um estado natural, não como uma perca, mas como um transmutar de uma consciência para outra, sem contudo perderes a tua verdadeira essência. Muito se fala de muita coisa, mas tudo isso e efémero. Quanto mais te fixas na pobreza e nos caminhos dela, mais a vais ter na tua vida. A vida dos outros é a vida dos outros. Tu não tens capacidade de avaliar a experiência do outro, não sabes o que ele veio cá fazer, qual a área que ele precisa de trabalhar em si. O certo será libertar a emoção das palavras, e usá-las sabiamente, por exemplo: vê a abundância em vez da limitação da abundância; vê que há novas oportunidades, mas para isso é necessário morrer para renascer, ou seja, trocar um bem menor, por um bem maior. Um bem menor, são as crises emotivas que fazem correr muita tinta, que os media adoram, para estar atarefados a vender aos incautos caminhantes as falsas questões, que nada tem a ver com a verdadeira questão. --Professor qual é a verdadeira questão? --É o começar de novo círculo de vida na terra dos homens, mas que tem que ser fechado o círculo que já viveram, que está morto, mas que querem ressuscitá-lo. Enquanto a emoção não se libertar das vossas células, enquanto correrem pelo poder aparente, enquanto não Amarem, a crise vai continuar. A crise não é fora, é dentro, dentro das vossas células. O bem maior é um novo círculo de vida para a humanidade. O antigo círculo da vida do homem, já viveu o seu tempo. É necessário que o homem tome consciência, que tem de morrer o velho, para dar lugar ao novo. Não podes dar lugar ao vinho novo, enquanto o velho habitar a mesma forma. --Professor como sempre és um verdadeiro Mestre. Tens o poder de fechar este círculo se quisesses, mas mais vez dás uma lição de sabedoria ao deixar que o homem o faça por si mesmo. Mostraste-me que a janela é a mesma, a perspectiva do saber ver é que é diferente, é esse pormenor que faz de Ti um verdadeiro Mestre, que não alimenta emoções, apenas dás força necessária para que o homem encontre a sua verdadeira essência, o Amor. O meu Amigo Carteiro escutou com muita atenção a nossa conversa e somente disse: O silêncio faz ti um sábio, o inverso faz-te ser um caminhante sem rumo e sem Amor. Até à próxima volta do correio, aonde quer que eu esteja, estou vivo, assim está Cristo. A mente Assassina «Disciplina a tua mente e presta atenção aos conselhos da experiência.» Provérbios, 23:11 Meu Amigo Professor, o homem ainda hoje se move como se ainda estivesse na caverna de Platão, desconhecendo por completo o homem real, o homem espiritual. As acções arbitrárias do homem contemporâneo levam-me a sentir que ele é um assassino, que é capaz de matar só pelo prazer de matar. Helena Blavatsky no seu livro A Voz do Silêncio diz: «A Mente é o grande assassino do Real. Que o discípulo mate o Assassino.» O discípulo a que ela se refere é o homem real – o homem espiritual. Ela fala da mente oscilante que não se fixa em coisa alguma, que está sempre à procura a maneira de escravizar o homem às suas pretensões, até mesmo fazer dele um assassino. Carlos, a principal causa desta divergência é porque o homem se iludiu com as manipulações do ego. Foi ele que alimentou essa diferença com astúcia para controlar a mente, para ser dono absoluta do homem. A verdade é que o homem não usa a mente como um pensador, aliás, é a mente que comanda o pensador, absorvendo o discípulo - homem real – deixando-o como um mandante da mente. Tudo começa pela dificuldade do homem não saber quem é! Quem é ele neste emaranhado de interpretações filosóficas, em que uns dizem que ele é o pensador pensante daí o criador, e logo de seguida já não é! Para passar a ser o assassino da mente. Enquanto o homem real, o homem espírito, o caminhante, não disciplinar a mente, ela faz dele um assassino, porque mata o melhor que existe nele, a sua verdadeira essência. O meu Amigo Professor fala a língua dos sábios, uma linguagem ainda muito precoce para o homem comum. Aquele que saiu da limitação do ego, já entendeu que o ego é o principal causador da sua mente assassina. Através dele o homem limitou o seu campo de energia, a expansão da consciência intensificada, que lhe permitia ser ele o próprio criador. A castração do homem comum, deve-se ao facto de permitir que a sua alma seja objecto de avaliação. Ao permiti-lo, está também a consentir que a sua mente fique prenhe do que os outros dizem da sua alma, limitando o seu campo de energia. A mente descontrola-se e torna-se assassina. Em termos reais e objectivos embora violentos, o homem que hoje pode ser considerado pelo mundo dos homens sublime, cheio de virtudes, pode amanhã ser um assassino e matar. Porquê esta dualidade? Este será o melhor exemplo da mente assassina, que pode matar às ordens de uma religião organizada, organizada por assassinos. «No Japão há uma das muitas religiões que eles seguem, que tem um ritual da seguinte maneira: todos os anos os sacerdotes escolhem um homem espírito entre os habitantes da cidade. Não são escolhidos sacerdotes, são escolhidos cidadãos comuns. Neste ano foi escolhido um jovem com vinte e sete anos para ser o homem espírito. É uma honra ser eleito entre muitos candidatos, que apenas ficam três depois de feita uma grande selecção. O homem espírito terá de percorrer trezentos metros até ao templo, onde cinco mil pessoas o aguardam para lhe tocarem, porque se lhe tocarem afastam a má sorte durante um ano, ou seja, até à próxima cerimónia. O mais dramático é que o homem espírito pode ser morto por esta avalanche de mentes criminosas, e não há lugar a qualquer punição para os assassinos. Este ano o homem espírito levou três horas até chegar ao templo. E para conseguir entrar dentro do templo, foi à custa dos braços violentos dos guardas - porque tudo nesta cerimónia é violência - a abrir caminho para conseguirem a abrir o portão, mas os selvagens aos gritos alimentados por muito álcool não permitiam. Queriam continuar a massacrar o homem espírito, para terem sorte durante um ano. Meio moribundo e já quase sem pulso, e com e carne dilacerada pelos pés, mãos e cabeçadas de mentes criminosas, lá conseguiu entrar no templo. Matar o homem espírito seria um mal menor, o importante era manter o circo, para que os assassinos se saciassem dos seus actos selvagens. O homem espírito - um jovem de estrutura musculada e no auge da vida - esteve de repouso durante oito horas. Ao fim das oito horas voltou ao templo apoiado por acólitos, porque mal se consegui pôr em pé, assim como o seu corpo estava severamente marcado por mãos assassinas em nome de uma religião. Teve de carregar com um pão com mais de trinta quilos que tinha sido feito nas vésperas, para enterrá-lo longe do templo, enterrando também com ele a má sorte. O jovem saiu do templo seguro pelos dois acólitos, não se sabendo ao certo a extensão das atrocidades, com o pão amarrado às costas arrastando os pés no chão, porque o seu corpo já não podia mais com tanta violência. O circo encerrou as portas por ano.» Palavras para quê! Esta história da vida real é explícita, mostrando que a mente é assassina. Um ego exacerbado pode conduzir uma mente fraca a matar. Helena Blavatsky diz: «que o discípulo mate o assassino». Querendo dizer que o homem espiritual mate a mente. Eu diria da seguinte maneira: «que o discípulo discipline a mente, para que ela lhe obedeça.» Esse é seu trabalho de uma vida inteira. Não se pode matar o que vive dentro de homem. Ele é um criador, um criador nunca mata, une. O meu Amigo Carteiro diz que o homem ainda está anos de luz do conhecimento. Quando aprender a Amar, não alimenta mais religiões e seitas, que para ele são todas iguais, umas de uma maneira, outras de outra todas elas são assassinas porque matam o belo, a busca do homem, a conquista da sua verdadeira identidade. Até à próxima volta do correio, onde quer que eu esteja, estou vivo.Qual é a Meta! «A meta é que todos juntos nos encontremos unidos…» Efésios: 4:13 Meu Amigo Professor, o homem pouco ou nada entendeu em milénios de vidas, vidas desperdiçadas em insensatos desejos. Os grandes mestres que por aqui já passaram e entenderam cada um à sua maneira a dualidade do homem, tentaram despertá-los, mas é em vão acordar quem está em sono profundo. Hoje reli algumas afirmações de Karl Marx amado por uns e odiado por outros. Escolhi três citações suas que passo a citar: Primeira citação: «Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos.» Carlos o que ele quis dizer, é que como é que é possível acordar a consciência do homem para a vida, se ele se alimenta de tradições que o mantêm em profundo adormecimento! Como pode o homem escrever a sua história pessoal, se ainda usa a caneta alheia, a caneta do outro ser que fez a sua experiência e a redigiu com as suas palavras. Como pode um cérebro funcionar em liberdade, se ainda está condicionado pelas experiências dos outros! Quando está preso em gerações que já passaram pela sua evolução. Um estado de consciência evolutivo é sempre individual nunca colectivo. Só chegam ao colectivo quando se emanciparem, quando crescerem como gente. Uma nova geração que entra dentro deste circulo de vida, tem sempre medo da mudança, prende-se na teia do que já está feito, para não ter que trabalhar a alma, libertá-la, despertá-la, porque é ela que vai dar sentido à sua vida, à sua liberdade. O cérebro de nada serve se estiver morto, e seguir caminhos de outros que não o teu é ter um cérebro pálido sem vida própria. Segunda citação: «A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo.» Aqui o teu amigo tem uma visão clara sobre o que são as religiões, mas que a sociedades redutoras de caminhos feitos não aceitam. Não aceitam porque qualquer governo feito pelas mãos do homem com um cérebro moribundo, tem sempre uma conotação religiosa, embora muitas vezes na penumbra. São elas que influenciam dissimuladamente o valor do dinheiro e os muitos ou poucos desejos do homem. Alimentam governos fantasmas, com protagonistas que são marionetas nas suas mãos manchadas de tanta falsidade e mentira. Elas são o coração de um mundo sem coração como diz o teu amigo. Assim como estão a atravessar mais uma época de espírito sem espírito, omitindo a verdadeira essência do homem. Qualquer religião como ele diz e bem, não passa de uma droga que alimenta um povo morto; um povo sem rumo; um povo que procura nas cata tumbas a agonia do seu ser. Terceira citação: «Educação é aquilo que a maior parte das pessoas recebe, muitos transmitem e poucos possuem.» Aqui ele fala a língua dos sábios com um cérebro a funcionar na plenitude, muito além das mentes empedernidas, das mentes que se armadilharam na razão, no intelecto e em outras deambulações filosóficas. A educação passa por um processo interior em que se estabelece uma base harmoniosa com o outro ser. Dessa harmonia germina a estrutura essencial de uma verdadeira família, que não pode estar dependente de tradições mortas, nem ligada a qualquer máquina religiosa. Se não nos distanciarmos desta realidade, a estrutura familiar fica alicerçada sobre um abismo que ameaça ruir a qualquer momento. Porque está alicerçada em crenças, não na verdade. Como podem falar de educação os intelectuais da palavra e da escrita, quando são eles que vão para os parlamentos e para outros sistemas de morte, agredirem-se uns aos outros, alimentando o mal e o bem. São muito filosóficos e religiosos, mas têm os cérebros cheios de minhocas mortas. Meu amigo Professor a explanação que tu deste das palavras de Karl Marx, leva-me a entender que ele estaria muito além da mente racional e objectiva do homem naquele tempo, e nos tempos de hoje, pelo menos no que se refere aos excessivos desejos do homem, e da não exploração do homem pelo outro homem. Certamente muitas das coisas que disse foram inevitavelmente deturpadas pelo outro homem. E os que estariam interessados em deturpá-las seriam as religiões, e os homens do poder que são os mesmos. Tal como no tempo de Cristo, quem o queria ver morto e bem morto eram sem qualquer sombra de duvida os representantes dos senhores dos templos, era a eles que ele incomodava. Também ele não alimentava caminhos feitos; não alimentava os senhores do dinheiro; não alimentava templos feitos por mãos humanas; não se ajoelhava perante o outro homem por mais excelso que ele fosse; não prestava vassalagem ao poder do homem; não alimentava a mentira, nem tinha as mãos manchadas do sangue do carneiro. Ensinou a palavra-chave o AMOR. Qual é a meta? Muito simples, não há meta. A meta tem sido a degradação do ser humano através dos seus muitos desejos; frustrações; ansiedades; promiscuidade; governos; religiões; crenças; do conhecer muito pouco de si mesmo; seguir caminhos guiados por cegos da mente; explorando o outro homem para ficar eternamente rico; não conseguir escrever a sua história pessoal; querer ser o maior na escala da riqueza, e por fim, globalizar o homem como se ele fosse um objecto sem vida própria. A meta nunca existiu, somente a ilusão a consegue ver. A destruição dos homens que gerem o capital por muitas voltas que eles dêem é a meta. Meta que eles próprios propuseram a si mesmos, com a ganância e egoísmo de serem os maiores, os maiores destruidores do sentido família. Para eles o que conta é dedicar todo o tempo para as suas empresas, não a família, essa não precisa de tempo. O próprio tempo está a destruir o que é desumano, o que não faz sentido, porque foi gerado num cérebro moribundo e sedento de desejos, mas sem qualquer Amor pelo outro ser humano. São eles humanos! Não é problema a destruição dos mercados bolsistas que está em que questão, a questão é saber qual é a tua meta? No embrião da palavra escrita Karl Marx escreveu a sua história pessoal, que jamais alguns destes seres poderá entender. É bem capaz de ser aí que tu te encontras meu Amigo Professor, longe das metas loucas dos homens, e de um mundo fanatizado por religiões e governos promíscuos onde vale tudo para obter capital, um capital com sabor a ópio, a morte e a destruição. A haver uma meta, só pode ser a união à verdade. O meu amigo Carteiro com o sempre é um ilustre e paciente ouvinte que diz: também passei por esse processo de metas e mais metas, até que um dia disse chega…e aqui estou hoje vendo tudo em distanciamento, o mesmo que tu ensinas e eles dizem que é difícil…coitadinhos dos meninos que ainda estão adormecidos com cueiros mijados, em colos alheios, cheios de medo, medo que lhe tirem o que eles consideravam ser o poder. Amigos até à próxima carta, onde quer que esteja estou vivo, assim está Cristo e todos os grandes mestres. Estás também tu vivo aqui e agora!
Qual o Espírito que alimentas… «Quem conhece a vida íntima do homem é o Espírito…só o Espírito de Deus conhece o que está em Deus. » -Coríntios: 2:11 Meu Amigo Professor à distância do tempo que não existe, as tuas palavras ainda permeiam todo o meu ser, como se a minha identidade fosse somente sabedoria. Tu nos explicavas a essência da vida, e só isso bastava para que se revelasse em nós o verdadeiro ser. Pergunto muitas vezes a mim mesmo, porque quis vir novamente a este espaço temporário! Bem me avisaste que o homem ainda não tinha sublimado o espírito como essência de vida, ainda tinha compreendido a sua verdadeira natureza. Quem entende o espírito vivo do homem e o aceita? Eu digo vivo porque o homem insiste em mantê-lo morto. É bem mais fácil alimentar um espírito morto do que um espírito vivo. Porque um espírito morto molda-se à razão mesquinha do homem, enquanto que o espírito vivo é livre não nasceu para ser domado, não se prende a dogmas filosóficos vazios de conteúdo. Ao longo dos muitos anos de Luz de vida, o homem alimentou a esperança de um céu maravilhoso onde os espíritos o esperam de braços abertos, diferenciando por um erro crasso de religiões ignorantes, aqueles que pela crença de meninos de coro bem comportados têm direito ao tal céu, enquanto que os outros, os rebeldes que não aceitaram ser cobaias de crenças desprovidas de qualquer essência divina, vão parar ao inferno dos pardais, que o local perfeito para aqueles que nunca arriscaram alimentar o espírito vivo. Esta cisão criada pelo homem ávido de controlar o outro homem, não pela essência divina – o espírito vivo – mas pelos dogmas manteve o homem preso ao medo da morte. A ignorância sobre a verdadeira essência do homem é a mesma que ele vive em relação à vida, a vida eternizada ao espírito vivo. Arriscar e não discriminar o outro homem pelas suas crenças religiosas, é um acto sublime que só o espírito vive entende e aceita, porque rejeita qualquer intenção por mais excelsa que seja, de seguir um outro caminho que não seja o seu. Tu nos ensinaste que apenas havia um espírito vivo de dimensões infinitas, onde as razões dos que se fixam numa teoria de conspiração contra o espírito vivo – os que são livres e não se deixam iludir pela argúcia da espada iluminada – não tem qualquer sentido. E não faz sentido porque as religiões e crenças vão e vêm, mas o espírito vivo que habita das profundezas do ser, vive para sempre dentro de todos os homens, mesmo aqueles que sempre tiveram medo de libertar o espírito morto, para que o espírito vivo que renasce das cinzas da ignorância volte à vida. Hoje eu sinto à distância do tempo que teima em existir porque não aceita a morte para aceitar a vida, que pouco o homem tem aprendido. Continua a competir com o outro homem até à exaustão para tirar de razões qual é o melhor, como se quisesse ganhar alguma coisa neste mundo de profundo adormecimento. Somos todos espíritos vivos, mas alguns ainda continuam mortos dentro do seu próprio casulo, ainda não tiveram a coragem de se emancipar para serem livres de verdade. Quando o homem que alimenta o espírito morto se libertar das amarras exploradoras das religiões e afins que criaram na sua mente inferior, estou certo que irá encontrar o espírito vivo, que vive para sempre, porque somente conhece a vida. Professor o tempo passa nos ponteiros acelerados e nervosos relógios do homem, que expele o odor do medo, o medo de não saber quem é. Mas quem quer que Tu sejas…és demais inteligente para alimentar os pequenos grandes medos do homem. Os Teus ensinamentos ainda hoje os guardo dentro de mim como o tesouro dos tesouros, embora me aliciem com alguns desejos, mas que tento resistir à passagem do tempo. Sim meu Amigo Professor…eu ainda sou um Espírito Vivo e o assumo, porque me custou algum deserto para atingir essa Consciência. O meu Amigo Carteiro diz: eles pensam que estou morto, mas nunca estive tão vivo e desperto como hoje.. Amigos até à próxima volta do correio onde que eu esteja, estou vivo. Onde está a verdade da confissão... «É melhor ser sábio do que ser forte, e o conhecimento vale mais que a força» -Provérbios: 24 Meu Amigo professor, assisti numa cadeia de televisão a um depoimento de um padre que defendia o segredo de confissão. Dizia ele, mesmo que um criminoso lhe confessasse um crime ele mantinha esse segredo com ele, mesmo que alguém estivesse preso inocentemente. Voltei atrás no tempo, mais precisamente dois mil anos quando Pilatos lavou as mãos em nome de um povo que condenou Jesus à morte. Jesus não tinha cometido nenhum crime, apenas tinha vindo falar de Amor. Os homens não entenderam assim. Mas quando tomaram a consciência que tinham tomado o partido de um criminoso, ilibando-o dos seus crimes e condenado Jesus, resolveram criar blocos de pedra a que chamaram “igrejas”, para também lavarem as mãos em nome de uma religião e de uma tradição que até é capaz de matar, talvez com medo que Ele os castigue. Professor não pude deixar de escrever uma carta a este padre, que transcrevo. «Padre, amigo e irmão de percurso, começo por lhe dizer que “Igreja” representa um templo interno, que não pode nem deve ser limitada por qualquer manifestação exterior, porque ela é vida, e a vida vive para a liberdade, e ambas são a razão da existência do homem que temporariamente ocupa este espaço. Voltando à sua entrevista, fiquei triste porque em dois mil anos apenas passou o tempo, porque uma religião ainda entende que não deve revelar o segredo de confissão, mesmo que um inocente esteja preso por um crime que não cometeu, e que o padre seja cúmplice desse mesmo crime lavando as suas mãos, escondendo-se no segredo de confissão, tal como Pilatos fez condenando Jesus, mas repetindo vezes sem fim que a culpa não era dele mas sim do povo, porque foi esse que o mandou matar, ele apenas cumpriu a sua vontade, mesmo sabendo que Ele estava inocente dos crimes que o acusavam. Para quê enterrar-mos a cabeça na areia! Para nos desculpar de uma lei feita por homens comuns. Pergunto a mim mesmo qual é o Deus em que o padre acredita? O da omissão! O que deixa condenar um inocente para fazer prevalecer uma religião perdida no tempo! Como pode dormir na sua cama descansado quando sabe que está um inocente a cumprir uma pena de um crime que não cometeu! Claro que me vai dizer que isso terá outras implicações, que o tal inocente veio cumprir um carma do passado e aí por diante… Mas deixamos os carmas do passado, e situemo-nos no hoje. Quem é verdadeiramente o padre para além dessa aparência, é bem possível quando o souber, que uma nova consciência lhe abra um outro caminho. Deixo-lhe apenas um exercício se em liberdade o quiser fazer, neste caso talvez o homem se sobreponha ao padre, mas o exercício é seu se quiser, e não meu, por isso não posso nem devo responder por si. Uma das suas sobrinhas, porque sei que as tem – porque a sua religião não permiti homens casados, por conseguinte sem poder fazer filhos – era condenada por um crime que não tinha cometido. O criminoso entra na sua igreja e diz-lhe que foi ele que cometeu o crime e não a sua sobrinha. Qual era o Deus que ia usar, o da sua igreja, ou o Deus que está no seu íntimo, longe da cobiça das religiões! Entendo que não é um exercício fácil quando se trata de uma pessoa que nos é chegada, mas a lei que o padre vinculou a sua fidelidade, não quer saber desse pormenor. Meu irmão não me responda, porque mais uma vez ia omitir a sua verdade mais profunda, mas faça um favor a si mesmo, antes de falar sobre assuntos tão melindrosos, pense profundamente antes de os dizer, e entenda humildemente que a sua religião também pode estar errada nos seus dogmas, porque ninguém tem a verdade absoluta. Deixo-lhe uma passagem da nossa Bíblia: “ Na realidade é na fé que falamos de uma sabedoria que não foi dada por este mundo, nem pelas autoridades passageiras deste mundo. A sabedoria de Deus foi projectada desde o princípio do mundo. Nenhuma autoridade do mundo conheceu tal sabedoria, pois se a tivessem conhecido não teriam crucificado Jesus. Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não entendeu o que Ele veio ensinar » - Coríntios 2; 6,8,9 Um grande abraço entendendo que eu sou seu amigo, e que um dia ainda iremos conversar como dois bons amigos, porque os amigos por vezes são duros, mas apenas porque Amam.» Meu Amigo Professor, nas tuas aulas da arte da vida nos mostravas a arte de viver em harmonia, a arte de Amar. Não nos ensinaste a ajoelhar-nos perante o outro "homem" por mais excelso que ele seja, mas sim elevá-lo acima de si mesmo quando está em sofrimento. Não deste poder ao "homem" para se autoproclamar como confessor, mas para se ligar a ti em verdade. Muitas mais coisas nos ensinaste... Será que o “homem” se esqueceu que é um ser espiritual que temporariamente ocupa um corpo? O que procura ele? O meu Amigo Carteiro diz que o que ele procura continua intacto dentro dele. Até à próxima volta do correio.Fábrica de “Santos” do Vaticano « De facto, Deus não nos deu um espírito de medo, mas um espírito de força, de Amor e de sabedoria » Timóteo 1: 7 Meu Amigo professor, li num destes dias o responsável da “Fábrica de Santos do Vaticano” dizer e o passo a transcrever: “Não se deve iniciar o processo de santidade se não constar mediante provas irrefutáveis que o servo de Deus em questão goza do conceito de santidade ou de martírio num consistente número de fiéis que a ele se lhe dirigem na oração, atribuindo à sua intercessão graças e favores”, referiu o Cardeal Saraiva Martins. E conclui depois de um longo texto. A tramitação do processo de santidade de um católico morto com fama de santo passa por etapas bem distintas. Por norma, cinco anos após a sua morte, qualquer católico ou grupo de fiéis pode iniciar o processo, através de um postulador, constituído mediante mandato de procuração e aprovado pelo bispo local, afim de apurar de que forma a pessoa em questão exercitou a heroicidade das virtudes cristãs. --Professor sabemos que quem avalia a nossa atitude perante a vida é o Deus em que acreditamos, e somente Ele é quem sabe o que verdadeiramente existe no coração do homem. Então pergunto, como pode alguém ter certeza de que a pessoa que foi canonizada pelo Vaticano, realmente foi fiel ao Deus em que acredita no mais intimo do seu coração? A bíblia nos mostra que o significado da palavra "santo" é separado. É tanto que Paulo quando se refere aos cristãos, chama de santos. Mas para os responsáveis desta instituição, tem que haver uma eleição para criar um santo, quem mais milagres fizer passa a ser santo. O próprio Pedro quando entrou no templo «Actos dos Apóstolos 3:6» «Não tenho ouro nem prata, mas vou dar-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, levanta-te e começa a andar.» E acrescentou: Porque olhais para nós? Como se fossemos nós que o tivéssemos curado, quem o curou chama-se Jesus Cristo. Sede santos como eu Teu Deus sou santo. Esta palavra é para toda a igreja de Cristo. Não diz que tem que ser canonizado. --Carlos há de tudo no mundo criado pelos homens, criado na ignorância da separação. Todos os seres que habitam este espaço temporário foi-lhes dado a sabedoria da cura, quando têm a humildade de se ligar à Energia Superior, sendo canais legítimos dessa mesma Energia, mas em tempo algum eles foram referenciados como santos, porque implicitamente nas palavras de Paulo todos os homens que também são filhos de Deus, Pai…Energia…são Sagrados, são Divinos. Os milagres que eles tanto enfatizam estão em conformidade com a Natureza, não em histerismos e guerras de poder que as instituições organizadas por homens tanto enaltecem. Depois de tantos séculos de vivência em comum ainda se interrogam quem é que curou quem? --Professor eles dizem, que em relação aos milagres necessários para as beatificações e canalizações, eles determinam que a pessoa curada através dos seus ditos santos, se ainda viver, deve ser examinada por dois médicos peritos que averiguarão com todos os meios clínicos e técnicos o seu actual estado de saúde, com particular referência à patologia da qual foi curada. E um dos pontos mais salientados pelos instrutores canalizadores da fé, é a fama de santidade, cuja origem deve estar na comunidade de fies, porque se estiver fora dela não há santo para ninguém. E dizem mais ainda os sapientes da ignorância, os processos que concluem com a canonização ou glorificação do tal santo, requerem sérios trabalhos – por isso eles são todos muito sorumbáticos e nunca se riem em publico, e quando o fazem é o sorrisinho amarelo para a fotografia – sobre a vida, os testemunhos e a irradiação espiritual que, depois da morte, a vida de uma pessoa cristã continua suscitando. Entre os sinais necessários para haver uma canonização requer um sinal milagroso, atribuído à intersecção desse ser, que nem depois da morte da forma, o deixam regressar a “casa” em paz. Professor quem vai ser santo? --Carlos entendo o que queres despertar nos homens, acordá-los para a vida, mas só acorda quem tem a consciência que está adormecido. Se eles dizem - santidade ou de martírio num consistente número de fiéis que a ele se lhe dirigem na oração – já estão a dizer que só podem estar anestesiados, quando enfatizam santidade e martírio para chegar a Deus. Na déspota causa que defendem, quantos mais fiéis tiverem presos ao altar da ignorância tanto melhor, mais alimentam crenças, dependências e outros actos de violação da alma humana. Repito o que muitas vezes te tenho dito nas nossas conversas de Amigos. Há uma incomensurabilidade de conhecimento dentro do homem, mas não há trabalhos nem caminhos feitos. Não existe prémios para os que se portam bem, e o inferno para os que se portam mal. Há sim uma consciência que aproxima os homens uns dos outros, sem qualquer exclusão. A criação de “santos” não é mais do que um acto de exclusão, de separação e de julgamento dos actos do homem, diferenciando-os de homem bom e de homem mau. Não entenderam ainda que não há dois…só existe UM. O meu Amigo Professor é muito subtil nas suas afirmações, mas muito objectivo a quem as dirige. Essa Sua subtileza diz-nos: Se os homens tivessem a consciência do Deus em que acreditam – não aquele pequeno deus criado por homens frustrados com a vida, que vestem de negro como a sua alma em constante conflito, apresentando um ar sorumbático, separatista, violento, martirizando o corpo com penitências e outros absurdos e afins. Certamente não alimentariam os seus cofres forrados a pedras preciosas e a abarrotar de ouro, para engordar os grandes vícios dos homens de sorriso cínico, que criam "santos" em série nas suas fábricas de fazer riqueza. Se eles querem mesmo prestar um bom serviço à comunidade, libertem-se das vestes pomposas, dos anéis e dos crucifixos de ouro talhados no suor de quem está adormecido, de quem não tem a coragem de matar de vez o deus que eles querem que seja o deus dos homens. Despojem-se do que os prende à ilusão de poder, vão ao encontro do caminho do verdadeiro filho do homem. Saciem-se com os frutos das suas próprias árvores, aqueles que plantaram, não comam o que não plantaram, aquelas que não lhes pertence. Parem de colher e comer fruta alheia, sejam “crianças” deixem de ser “homenzinhos de boas intenções”, porque assim nunca seram uma coisa nem outra. O meu Amigo Carteiro diz na sua excelsa e gloriosa sabedoria: “Bem quiseram que eu fosse “santo”, mas como não quis as glórias dos homens, e queria continuar a ser livre, não dão por mim, mas eu continuo a fazer o meu trabalho.” Eu também continuo a ser livre, não quero ser aquilo que os outros dizem que eu sou, porque eu sei que EU SOU, sem intermediários, e sem qualquer pretensão de ser “santo”, mas sim religioso, que é uma palavra que eles deturparam, mas que para mim continua transparente, tal como o Deus em que eu acredito. Até à próxima volta do correio, e aonde quer que eu esteja, EU SOU.Vives a Abundância? « Quem caminha nas trevas não sabe para onde vai.» João 20: 35 Meu Amigo professor, o homem caminha nas trevas? Carlos, conta-se que estava a decorrer um seminário em que o tema principal era a abundância. O orador falava de abundância quando foi interrompido por um homem que lhe disse: --Quem me dera poder experimentar a abundância. Sabes, eu não dou grande importância ao dinheiro. Mal tenho o suficiente para sobreviver. Tive de apertar o cinto para poder vir aqui. Toda a minha vida quis experienciar esse tipo de abundância de que tu falas. O orador disse-lhe: --Se queres mesmo ter a experiência da abundância, por que não passas a hora do almoço a dar abundantemente o que tens para dar? Olhou o orador surpreendido e disse-lhe: --Mas eu não tenho nada para dar. Ele realmente acreditava que não tinha nada para dar. O orador perguntou-lhe: --Tens algum Amor? --Oh...sim admito que tenho algum Amor para dar. --Tens compaixão? --Sim…creio que tenho alguma compaixão. --Tens sentido de humor? --Ah, sim...tenho piadas suficientes para durar a vida inteira. --Vamos dizer que tens abundância destas coisas. Óptimo, agora aqui está o que eu quero que tu faças. Passa a hora do almoço a dar estas coisas que reconheceste que tens em abundância. Dá-as profundamente. Dá mais do que alguma vez deste a todas as pessoas cuja vida tu tocas, durante o teu almoço. Este é o meu desafio para ti. Lá foi ele partilhar o que ele tinha em abundância. Uns riam, outros davam um sorriso amarelo, outros não achavam piada nenhuma, outros olhavam de lado, outros achavam que ele era um tipo maravilhoso que os divertia imenso. Isto era a prova do mundo exterior das circunstâncias, por que interiormente outra prova se estava a passar, mas essa ele não podia ver. Quando regressou do almoço vinha todo contente e feliz. O orador perguntou-lhe: --Como foi a experiência? --Nem consigo explicar-te o que sinto. O orador perguntou-lhe: --Sentiste a abundância? --Sim, senti. Agora sinto-me rico, porque permiti que uma parte de mim se expressasse de uma maneira que não tinha permitido antes. O grupo tinha-se juntado enquanto ele transmitia a sua abundância, e encheram-lhe o seu chapéu de dinheiro. Ao ver o chapéu repleto de dinheiro, as lágrimas começaram a cair.” Quando não deixas expressar o melhor que há dentro de ti, tu estás a caminhar nas trevas, tu não vês a Luz. Como podes ver a abundância se limitas a Luz, e se limitas a Luz, tu não sabes para onde vais. Podes estar junto da riqueza e não a ver. O homem alimenta o exterior, alimenta aquilo que vê. Quando ele se eleva acima do que é exterior, do que é efémero, ele vê Luz onde a alquimia desenvolve o seu trabalho a um nível Superior de entendimento, sem a manipulação do senhor das trevas. --Quem é o senhor das trevas? --É a tua mente racional rigorosa e objectiva. --Ela tem esse poder? --Tem o poder que tu lhe deres. --Não será isso uma armadilha no caminho do homem! --As armadilhas só funcionam quando tu as accionas. Quando o personagem da minha história diz: Sabes, eu não dou muita importância ao dinheiro. Mal tenho o suficiente para sobreviver. Tive de apertar o cinto para poder vir aqui. Toda a minha vida quis experienciar esse tipo de abundância de que tu falas. No momento em que ele assume a sua própria sobrevivência, ele activa a armadilha da limitação da abundância. São as suas próprias palavras que contêm a cilada criada por ele mesmo. A maior parte da humanidade sobrevive alimentando a abundância, mas não vive a abundância, porque a abundância é um estado de consciência que não conhece a limitação. O meu Amigo Professor fala a língua da verdade, uma verdade que o homem ainda não entende, ainda não aceita, por isso sobrevive no mundo das trevas. Como podemos conhecer a Luz se nos mantemos na escuridão! A vida real é a Luz do Grande Mestre dos mestres que não alimenta sombras, tal como o sol do meio-dia. O meu Amigo Carteiro diz que abundância sempre fez parte das suas muitas vidas. Porque em qualquer circunstância da vida por ele vividas ele é sempre rico. Até à próxima volta do correio. Cristo está Vivo… « Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem! Lucas 23: 34 Meu Amigo professor, Cristo foi barbaramente assassinado, não porque ele tenha sido bom ou mau, ou porque tenha vindo para morrer na cruz e libertar os famigerados pecados do homem. Foi morto porque teve a coragem de desafiar a autoridade religiosa que ditava na altura os destinos do homem. Cristo não é o resultado da imaginação humana, Ele está para além da filosofia intelectual do homem, está para além de qualquer religião ou afim. Se Ele hoje voltasse à terra na forma humana, poderia viver em qualquer recanto da terra, em qualquer situação e sob quaisquer condições sociais, porque em todo o lugar onde estivesse estava bem. Ao contrário do homem comum que leva a vida a lamentar-se; desejar sempre o que não tem; matar em nome de qualquer coisa. Nestas condições humanas limitadas em que vivemos, Cristo seria sempre morto da mesma maneira de há dois mil anos atrás. O homem voltaria a mata-lo, qualquer que fosse o tempo ou o lugar onde Ele se encontrasse. Cristo na sua plena Energia, mostra-nos realidades bárbaras mas subtilmente encobertas na existência do homem comum, insensível às mudanças de atitude perante a Vida. O homem comum tem procurado incessantemente em Cristo, a chave que lhe possa desvendar o mistério da sua morte, e quais as consequências que ela criou na sua vida, e qual o destino que lhe está reservado, por não acatar a mudança. --Carlos o homem vive o drama e a tragédia da morte de Cristo, daí resulta a dificuldade para entender o que está para além dela, o que está para além do tempo e do espaço. O drama humano não está apenas na morte do Cristo, mas também no nascimento, um nascimento enfraquecido por não haver Amor, e foi por falta de Amor que Cristo sucumbiu às mãos do homem. Estão a matar o Cristo logo à nascença, quando rejeitam o Amor de uma criança, quando rejeitam a Vida que está no ventre da mulher. --Professor porque razão Deus não intervém no drama humano! --Porque procuram o Cristo na razão, e Ele está para além da razão limitada do homem comum. --Porque falaste várias vezes em homem comum. --Porque quem vive na razão é o homem comum, o outro voa. Por isso sabe onde se encontra a chave do segredo, enquanto que o homem comum apenas escreve sobre o segredo, escreve sobre aquilo que não conhece. --Por isso não o encontra? --Carlos o homem vai continuar a andar às voltas do muro das lamentações, enquanto não tiver entendido de maneira integral e subjectiva o verdadeiro caminho de Cristo. Ele representa o segredo da morte e da Vida do homem. Cristo morreu há dois mil anos, e continua a morrer todos os dias porque ele é Vida. É essa Vida que o homem comum continua a matar. No passado e no presente da vida do homem comum, há um abismo inultrapassável entre a fantasia da Vida e a capacidade do homem de viver a verdadeira Vida. O Cristo morre porque o homem ama a Vida mais do que a sua própria estrutura lhe permite. Ele é completamente incapaz de receber a Vida tal como ela é criada por Deus, regida pelas leis da Energia Vital Cósmica, de um Universo dentro de muitos Universos, Universos que o homem comum ainda não conhece, mas que o outro o Guerreiro, voa sobre eles. --Tem o homem salvação? --A esperança dá forças e faz cintilar a chama do fogo interior. Mas se o homem se mantiver adormecido, imobilizado no seu casulo de hibernação perpétua, continuará a matar a Vida, continuará a matar o Cristo que habita do seu secreto. --Meu Amigo Professor no limbo da Vida onde me encontro, entendi onde queres chegar com as tuas sábias palavras. Na realidade as culturas do homem comum nascem e morrem, as sociedades criam para logo desaparecer. Criámos guerras às nações vizinhas para esquecer a morte de Cristo; fazemos revoluções patéticas dizendo a nós próprios que somos livres, quando não o somos. Vivemos uma mentira constante, mas por ser repetida tantas vezes acabou por ser verdadeira na nossa ilusão. Temos agindo ininterruptamente da mesma maneira, agindo com os mesmos erros do passado. Chego à conclusão que a razão é capaz de não entender, que poucas ou mesmo nenhumas mudanças foram feitas nestes últimos decénios. Por isso, depois de termos destruído a forma do Cristo, não a sua essência, só nos resta reavivar o Cristo sem forma, vivo, activo entre os Guerreiros, para que os homens comuns despertem do seu longo sono. Cristo não morreu, está vivo, e esse é o grande drama do homem comum, porque teme a morte em vez de aceitar. O meu Amigo Carteiro diz que conhece muito bem Cristo, ele é o portador de muitas cartas do homem comum, porque o outro não precisa de lhe escrever, tal como o Carteiro, está sempre com Ele. Até à próxima volta do correio, se essa for a Sua vontade.Pecados!!! «Cada sacerdote apresenta-se diariamente para celebrar o culto e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que são incapazes de eliminar …aquilo a que ele chama pecados. Eu colocarei as minhas leis nos seus corações e gravá-los-ei na sua mente, e não me lembrarei mais deles.» Hebreus 10: 11 Meu Amigo Professor, mais um ano está a terminar no calendário dos homens, sem que eles tenham entendido qual é o verdadeiro pecado que os senhores dos templos tanto enfatizam. Se calhar segundo a sua nova lei e passo a citar «Passar demasiado tempo a ler jornais, a ver televisão ou a navegar na Internet são alguns dos «novos pecados» anunciados pela Igreja Católica. O anúncio de que estas actividades passaram a ser pecadoras foi feito no Vaticano pelo Cardeal James Francis Stafford, Penitenciário – Mor. O Vaticano considera que quem dedicar muito tempo a este tipo de laser deve ser dito na confissão.» O homem tem o que merece quando se deixa estupidificar pelo tal pecado, que ainda não entendi muito bem o que é que eles entendem por pecado. Será que ainda estão ligados ao famigerado pecado original? No qual a pobre maçã foi o caminho para o pecado. Então ainda não saímos daí? Ainda estamos presos à ignorância de uma pobre maçã que nada fez de errado. Ou será que a culpa foi da serpente? Mas se foi a serpente tanto melhor, ela determina as atitudes dos homens. Obriga-os a revelarem-se. Tenham dó…não digam mais palavras impregnadas de “pecado”, porque o livro em que escreveram todas essas barbaridades ao longo dos séculos, já está cheio… há muito…muito tempo. Meu Amigo Professor à distância do tempo terrestre, lembro as tuas sábias palavras ditas na "Escola das Artes da Vida do Homem". «O homem é livre para fazer as suas experiências de vida, sejam elas boas ou más. Todas elas fazem parte do seu percurso, sem que alguém terreno tenha a capacidade de as poder julgar ou condenar para depois as absolver, e, muito menos estabelecer leis que contrariem a liberdade de cada um, que é ser responsável pelos seus actos. Não há ninguém que se possa comprometer com as experiências que cada um deve fazer em liberdade. Se errou um caminho hoje, logo de seguida tem outro, porque eles são intermináveis. Ninguém pode condenar outro homem pelas suas más experiências ou escolhas, porque as suas não melhores do que as dele. Para o homem comum – ou seja para os que estão encarcerados em crenças - tudo é pecado. Para o outro – aquele que vê tudo em distanciamento - tudo não passa de experiências no seu caminho de «casa». Sei que muitos vão tentar contra a liberdade do homem comum porque tem asas de papel, que facilmente se deixa ir com o vento, não quer combater nem assumir o seu bom combate. Prefere ficar enredado nas correntes de vento em dia de tempestade, que se perpétua ao longo da sua vida. Esse será sempre a vítima da sobrevivência, anseia liberdade, mas não consegue libertar-se das grilhetas que o prendem à ilusão. O outro, o verdadeiro Guerreiro combate sempre com Amor em nome da sua liberdade. Não se deixa influenciar por homens que andam na mesma procura. Aquele que hipotecar a sua alma aos fazedores de religiões, viverá amedrontado e aterrorizado, porque rejeita a liberdade da sua verdadeira essência. A morte para ele é um pesadelo, porque está enraizado no pecado, e no momento de partir tem imenso medo de ir parar ao inferno, que tanto enfatizam os “senhores da transgressão”, para prender o homem ao equívoco. A escolha é do homem.» Estas tuas sábias palavras batem fundo na minha alma de criança, uma criança que rejeita seguir caminhos feitos por homens, que declina deixar de ser criança, porque sente que a Sabedoria do Mundo entende a sua liberdade. Tu colocaste leis no coração do homem, e, as gravaste a oiro fino na sua mente superior, onde nenhum “abutre” ousará chegar. Esquecendo por completo o que o homem comum chama de pecado. Não tenham as religiões a ousadia de falar de pecados, porque se eles existissem... nenhuma se salvaria, porque todas elas umas mais do que outras infernizam a vida do homem comum, em constantes deliberações sobre a sua alma, e o caminho que devem seguir. O outro, não conhece nem quer conhecer o “inferno” que as religiões criaram, “voa” em liberdade pelos infinitos Universos. Como diz um amigo meu que até é padre, como vêm tenho bons amigos padres: «Era o que faltava era eu tirar os pecados dos outros, já bastam os meus. Por isso que cada um faça por si em consciência o que pode fazer. Mas por favor livrem-se dos pecados.» Se o seu chefe hierárquico ouve falar o meu amigo vai ter pecados para o resto da vida. E tem muita sorte em não viver no tempo da inquisição, senão nem mais uma palavra ele dizia. Com alguma tristeza minha digo, o homem não tem aprendido nada ao longo de séculos em relação à sua alma, quem realmente é para além da aparência de uma simples forma, o que está para além dela. O meu Amigo Carteiro através das experiências das suas muitas vidas sorri e diz: Eles tarde ou cedo um dia irão aprender, quando chegarem a «casa»! Sorriu de novo, deu-me um abraço bem forte, e levou a minha carta ao meu Amigo Professor. Amigos até à volta do correio, e um NATAL DE AMOR E PARTILHA, DIGAM NÃO AO CONSUMISMO. A dualidade do homem impede o seu crescimento «De facto, fostes despojados do homem velho e das suas acções, e revestiste-vos do homem novo que, através do conhecimento, se vai renovando à imagem do seu Criador.» - Colossenses 3: 9,10Meu Amigo Professor, nas tuas aulas ensinavas aos meninos como eu, que o homem estava entorpecido pela alucinação do tempo e espaço e dos opostos. Ao viver esta dualidade, ele limita a sua vida a actos isolados, desintegrado de tudo o que constitui o Universo. Ao fazê-lo rejeita a vida no seu todo, vivendo em fragmentos de sobrevivência, negligenciando a vida real. O homem tem grande dificuldade de se libertar das amarras do passado, um passado repleto de dualidade que ele não quer ou não pode dar sentido. A dualidade é uma capa que o protege de assumir o seu passado, por isso ele anseia pelo futuro com a expectativa que tudo modifica com o tempo. Mas o tempo não o liberta da dualidade pelo contrário, prende-o ainda mais ao passado, porque a dor que ele produz vai afectando-o cada vez mais os níveis quer físicos, psicológicos ou espirituais. Mas mesmo assim ele recusa orgulhosamente assumir os seus erros, e mantêm o mesmo estilo de vida que vivia no passado. A dualidade diz-lhe que ele está repleto de razão e que não tem que mudar nada na sua vida mesmo sofrendo no corpo e na alma a dor não esclarecida dentro de si. A parte mais profunda de si mesmo sussurra que a razão não conhece a alma, a sua verdadeira essência. Para se desculpabilizar o homem diz que os opostos entraram em conflito criando a dualidade, quando na realidade foi ele que alimenta esse conflito. O cerne da questão é que nunca ouve opostos, nunca ouve dualidade. O que na realidade existe é uma sintonia perfeita entre dois elementos da natureza do homem, a que ele chama de hemisférios. O direito representa simbolicamente a intuição, e o esquerdo a razão. Eles formam uma dupla que está sintonizada na estabilidade, na criação ao mais alto nível da consciência. Professor quando te interrogámos sobre estes dois níveis de consciência, tu nos disseste que eles são um só, porque eles são a forma perfeita da criação humana. Perguntei-te se esse um, seria a alma! Tu sorriste, e deixas-te que eu por mim respondesse, à pergunta que só eu podia responder. Hoje à distância do meu Amigo Professor, entendo que o passado não existe, o futuro nunca existiu, e que só nos resta o presente, que teimamos em não aceitar como a parte que liberta a dualidade criada pelo homem ansioso, porque a dualidade é ansiosa, só quer aquilo que já não tem, ou aquilo que acha que deve ter, quando na verdade só tem o Aqui e Agora, que tantos falam mas poucos o entendem. Quando o homem se desapossar do antigo homem e das suas acções, ressurgirá nele um novo homem, sem o sentido de escolha, sem o sentido de posse, só então ele se identificará com a imagem do seu Criador, porque sabe que já não precisa de escolher. Só então começará o seu crescimento não rejeitando nada, mas integrando tudo no todo. O meu Amigo carteiro diz que leva muitos anos de luz até que o homem aprenda a não viver na dualidade, a viver o todo. Até à próxima volta do correio. A quem Entregámos a nossa Alma ? “Não julgueis pelas aparências, mas conforme a verdade” - João: 7,24 Coloquei à tua frente uma porta aberta, que ninguém poderá fechar - Apocalipse: 3, Meu Amigo Professor, nas tuas aulas que ensinavam a arte de compreender a alma. Tu nos dizias: “A Alma é a Luz da Vida que conduz o homem à Verdade. Não deixem que luzes dissimuladas e errantes vos queiram guiar pelos caminhos da Alma. Em todos os tempos, muitos serão aqueles que os vão confundir, dizendo que ela é sagrada, que só eles a podem entender. Os crédulos vão entregá-la para se tornarem as cobaias de religiões e seitas, que vos mostram uma luz insidiosa, que nada tem a ver com a verdadeira Luz.” Professor, o homem está a caminhar para um labirinto perigoso, em que é enredado nas suas próprias tramas. Quantas vezes tu nos avisaste dos predadores de almas? Vezes sem fim. Mas o homem continua tão “surdo e cego”, que se deixa envolver num acto contínuo, por tudo o que são crenças, dependências, hipotecando cada vez mais a sua Alma. Tu nos disseste: “Antes de entrares no caminho da alma, tens de destruir o teu corpo aparente, aquietar a mente, e seguir apenas o que o coração te diz. Toda gota caída do céu é pura e cristalina, até se misturar com as enxurradas que a arrastam com a sua força descontrolada. Assim é o homem que entrega a Alma ao ardiloso caminhante. Quando ela nasce é livre. Depois o homem deslumbra-se com mundo exterior, esquece-se da Alma, e segue na enxurrada com os outros. Não deixes que os teus pensamentos e crenças te dominem, senão, criam raízes que sufocam a tua Alma. Se os pacificares, nem a sua sombra se aproximará de ti. Porque se eles criarem raízes, deixarás de saber quem és. Terá sempre de “morrer” o mais fraco para que o mais forte sobreviva. Ambos não podem coabitar o mesmo espaço. Que a tua Alma se abra à vida, como o sol nasce para o dia. Se um Mestre da terra te disser para te tornares Deus tens deixar de Amar todas as coisas. Se esse Mestre te disser que para te libertares do mundo exterior das circunstâncias, tens de desprezar o teu irmão de percurso, chamar-lhe de senhor, e renunciar à vida – diz-lhes o que o teu coração sente. Contudo, não te deixes iludir pela aparência dos falsos Mestres. A Alma livre vê uma má experiência como uma aprendizagem, um ponto em que a sua consciência tem que trabalhar mais, para poder fazer melhor. Para que a luminária ilumine a tua Alma, é preciso que alimentes a chama. A luminária por si só não dá luz. Dentro de ti à Vida, há uma Alma que não vês, mas que se movimenta; no teu corpo ansioso, na tua mente silenciosa. Não é por te isolares do mundo dos “homens”; enclausurando-te dentro de muros de pedra feitos por mãos humanas que libertas a tua Alma da ilusão, da ilusão dos predadores de alma Oh caminhante... longe está o teu coração; na floresta está a Vida; dentro do “homem” está a Alma, e junto da dela está Deus.” Amigos há uma porta à tua frente que te conduz à Alma, à Alma que não está presa na ilusão. Ela está sempre aberta, e ninguém a pode fechar. Professor, a quem entregou o homem a sua Alma? O meu Amigo Carteiro nunca entregou a alma aos predadores de almas que corrompem o bom e o belo do homem. Diz que a sua Alma é livre, não está dependente de homens com roupagem institucionalizada, que iludem os incautos caminhantes. Amigos, até à volta do correio.O Segredo da Vida “Eu não vim para fazer a Minha própria vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou. - João 6-38,39” Meu Amigo Professor, o homem vive mais uma época de inquietação constante procurando por todos os meios justificar o segredo da Vida, a felicidade absoluta através de um roteiro. Ele tem procurado incessantemente o elixir da Vida que lhe permita satisfazer todos os seus desejos; que haja um toque de magia que lhe possibilite melhores relacionamentos humanos; que a saúde seja abençoada mesmo que os excessos que ele comete todos os dias não tenham qualquer interferência no seu bem-estar; e que a sua missão neste espaço temporário seja um conto de fadas. Os pensadores do poder da mente agem como “deuses” alimentando uma falsa esperança, uma esperança alicerçada no equívoco sobre a Vida real. “A imaginação é tudo. É uma visão antecipada de todas as atracções futuras da vida.” --disse Albert Einstein. A lei da atracção é tão antiga quanto a existência do Universo. Quer queiramos ou não esta lei é usada por nós a cada momento da nossa vida. O homem vive ansioso na procura de poções mágicas para ser poderoso e rico de um dia para o outro. Será meu Amigo professor que o homem ainda não entendeu que a riqueza que procura não está dependente de fórmulas mágicas, mas sim de um profundo envolvimento com a sua parte divina? Será que ainda não teve a consciência que tem que percorrer um caminho para se encontrar a si mesmo e para evoluir? As filosofias, religiões, e pensadores do poder da mente têm anunciado essa poção, mas o certo é que não funciona como eles dizem. Se funcionasse o homem já estaria num estágio avançado de sabedoria, o que não é o caso. Sobre o livro mais vendido no mundo neste momento o “Segredo”, um livro do “fast food” americano, embora a autora livro seja australiana, foi a máquina americana que desenvolveu a sua projecção, dizem o seguinte: “Fragmentos de um Grande Segredo foram encontrados nas tradições orais, na literatura, nas religiões e filosofias ao longo dos séculos. Pela primeira vez, todas as peças do Segredo se juntam numa revelação incrível que transformará a vida de todos que o vivenciarem. Com ele, você vai entender o poder oculto e inexplorado que está dentro de você, trazendo alegria a cada aspecto da sua vida.” A autora em apenas dois meses estudou os grandes líderes do passado, leu centenas de livros e acumulou um número incontável de horas de pesquisa. Quantas centenas de livros conseguimos ler em dois meses? A maneira como leu esses livros e os pesquisou em tão pouco tempo deve fazer parte do “Segredo”! “O Segredo” nada mais é do que a temática do pensamento positivo, da mentalização de coisas boas para atrair coisas boas. Há alguns anos também fui partidário do “fast food”, das mentalizações positivas. Fui a muitas conferências sobre o poder da mente, senti a emoção que as pessoas avidamente absorviam, quando orador experiente colocava os sons agudos e graves no tempo certo, para dar mais credibilidade às mentalizações. Num momento da minha vida em que o tapete me foi tirado dos pés, de nada valeram as mentalizações, nem os projectos que ansiosamente desenhei e aceitei como se já estivessem realizados. Se eu não fiz tudo certinho? Claro que fiz tudo certinho, mas acontece que o sucesso era para o meu amigo conferencista que em dois dias recebia algumas centenas de contos, e nós ficávamos com a esperança que tudo ia dar certo, ou seja, ricos e felizes para sempre. Pura ilusão de quem é inexperiente nestas “andanças”, e se ilude com a atracão do dinheiro, porque é esse o ponto que mais enfatizam. É por aí que o peixe vai ao isco subtilmente escondendo o anzol. Ensino aos meus alunos nas aulas de Meditação e nos Workshops que tudo vem no momento certo, “nunca antes nem depois”, palavras do meu Guia Lucas quando viajei ao longo das minhas onze experiências. Não alimento ilusões, mostro-lhes a realidade da Vida, não lhes dou “fast food”, alimento que não é recomendável para uma boa “alimentação” interior. Se o que eu mentalizei me tivesse sido dado de bandeja naquele momento, eu não teria aprendido o que aprendi durante a minha passagem pelo deserto, não teria a consciência que tenho hoje, que ajuda aos outros é a prioridade do meu trabalho, da minha Vida. Na altura era um espaço de puro negócio, hoje é um espaço de ajuda para quem a procura. Não quero dizer com isso que não é importante manter a mente positiva aceitando as experiências que a Vida nos dá. Como todos sabemos a mente oscila a cada momento e precisamente por isso há que fazer um trabalho interno que nos permita o equilíbrio. Quando estava nas aulas do meu Amigo Professor um dia ele disse-me: --Carlos sabes qual é o verdadeiro Segredo? --Não Professor…não sei! --É a morte. --A morte...? --Quando o homem entender e aceitar a sua morte, receberá de volta a verdadeira Vida. --Porquê? --Porque nela habita a Sabedoria do Mundo e a interpretação da sua linguagem. --Mas o homem tem medo da morte. --Por isso o Segredo da Vida não lhe é revelado. Não se iluda o homem com as grandes coisas que lhe surgem no caminho, fique a tento às pequenas coisas. --Porquê Professor? O meu Amigo Professor sorriu e não disse uma palavra. O meu Amigo carteiro diz que não alimenta “fast food” porque lhe causa indigestão. Prefere “alimentos” que têm que ter o seu tempo de manuseamento, assim segundo ele: têm outro espírito. Amigos até à próxima volta do correio. Será que podíamos ter feito alguma coisa...? Meu Amigo Professor, veio hoje à memória a minha “Viagem aos Jardins Suspensos de Sabedoria”. “Estava no meu vigésimo nono dia de “Viagem, e tive a percepção que este seria o meu último dia por estes maravilhosos Jardins. Com este entendimento vou ao encontro dos Meus Amigos para mais uma experiência, que em liberdade procurei para a minha vida. Como sempre tenho por companhia até os encontrar o Estefânas e o Fortunato – Estefânas e o Fortunato são um casal de águias muito simpáticas que me têm ensinado a “voar”. --Carlos fizeste um bom “voo”. Os teus exercícios espirituais fazem com que os teus “voos” sejam mais equilibrados. Já vais descobrindo por ti os pontos de equilíbrio que se moldam melhor aos teus “voos”. É esse o grande exercício do homem, adaptar para si mesmo outras formas de “voar” que se moldem ao seu entendimento. Meu querido amigo seguir o que já está feito não tem mérito algum, agora descobrirem por si mesmos o que os outros ainda não descobriram, aí sim, começam a aprender a magia de poder voar em liberdade. --Fortunato por vezes é complicado seguir esse caminho, pois nunca sabemos como é que ele se vai desenrolar. --O desafio é importante, mas mais importante ainda é o percurso que vos leva até ele. Tudo está ao alcance do “homem”, basta ele querer percorrer por ele esse recurvado caminho, que o conduz a um entendimento mais profundo com tudo o que o rodeia. Piquei o meu “voo” equilibrei bem as minhas “asas”, quando dei por mim os Meus Amigos estavam ao meu lado. --Carlos que belo “voo”, estás cada vez mais à altura da tua missão, como sempre em liberdade, aliás para ti não podia ser de outra maneira. O pensamento com que começaste esta experiência leva-te a um entendimento profundo com os teus irmãos de percurso. O grande desafio do “homem” é escolher por si mesmo as suas experiências em liberdade, sem ter que decorrer à experiência do outro “homem”. --Os seres que nos antecederam estavam errados no que descobriram? --Nem certos nem errados, porque eles fizeram as suas descobertas para si, não têm culpa de que vocês seguissem o que eles descobriram para eles. Se a liberdade existe porquê não usá-la, para quê seguir o que o outro descobriu para ele. Apenas porque já está feito? Parece ser esse o caminho mais fácil, mas não tem sido, e não tem sido porque têm ainda muita dificuldade em entender que apenas vivem temporariamente nesse espaço. --Quando caminhava ao vosso encontro ouvi na infernal máquina do tempo, uma notícia que tinha deixado o Mundo em estado de choque. Numa escola no Colorado nos Estados Unidos, dois ou três adolescentes tinham morto a sangue frio um ainda indeterminado número de colegas e professores, sem qualquer motivo aparente. E como sempre a poderosa máquina destruidora, vomitava noticias e imagens horrorosas de pânico e estupefacção, daqueles que acompanhavam todo aquele drama. Pensei, como era possível que o Deus, aquele em quem eu acreditava, tivesse permitido todo aquele horroroso drama! Porque não tinha tido Ele o direito de intervir! Porquê deixar que tudo acontecesse daquela maneira tão brutal! Por momentos entrei em desalento e em revolta não para com o meu Deus, mas por aquilo que eu ainda não sabia, mesmo tendo em conta todas as experiências que tinha e continuo a ter com os Meus Amigos! Fiquei chocado por saber tão pouco, eu que já pensava que sabia alguma coisa. As minhas interrogações não paravam de querer respostas que fizessem sentido, perguntava para quê toda aquela violência? Meus Amigos porque não pôde Deus intervir? Que culpa tinham os adolescentes e professores? Onde estavas tu Senhor naquele momento, onde estava o teu escudo salvador para que aqueles inocentes se pudessem refugiar? Onde estava a tua maravilhosa mão direita que sustenta quem te procura, e que nunca pára de atender, onde estava ela Senhor…? Como posso viver com a minha missão, quando os meus olhos vêm, e o meu coração sente toda esta violência! Onde estavas Tu Senhor? --Carlos estás a interrogar-me? --Sim eu estou a interrogar-te Senhor, que queres que te diga, que entendo todo aquele horror! Que posso eu dizer-te Senhor nesta hora em que irmãos meus de percurso sofrem? Sim eu estou a interrogar-te! Mas que queres que eu te diga! Tento endireitar as minhas “asas” e controlar os meus “voos” para tentar encontrar entendimento. Quero avançar com a minha missão, mas esta noite tudo parece não fazer sentido, pergunto a mim mesmo se tenho aprendido bem as minhas experiências? O meu coração chora por esses meus irmãos de percurso, nada resolvo mas que posso eu fazer Senhor? Será que podia ter feito alguma coisa…?” Tive esta conversa com o Meu Amigo Professor numa das muitas “Viagens” quer tenho feito fora deste espaço e tempo. Será que podíamos ter feito alguma coisa…? Cada um responda por si em liberdade. O meu Amigo Carteiro diz que é sempre possível fazer alguma coisa…assim o homem entenda e queira. Até à próxima volta do correio. Enviar Energia ao Planeta para o Salvar! Meu Amigo professor, será que o homem ainda não entende que não adianta enviar energia para o planeta para o salvar, porque não é o planeta que está doente mas sim a mente do homem. O planeta apenas reage à sua agressividade, mas isso não quer dizer que esteja doente. O homem arranja sempre alguém a quem culpar da sua desastrada governação. Enquanto a sua destorcida mente não mudar, vão sempre imputar ao planeta todos os males que afectam o homem. O planeta é a desculpa que a mente racional encontra para não se responsabilizar do seu adormecimento. É através da mente racional e objectiva que o homem destrói o que é belo, o que lhe daria harmonia e bem-estar durante a curta permanência neste espaço temporário. O homem é um imigrante em terra de forasteiros, vive transitoriamente num espaço de tempo para evoluir a consciência e chegar ao espírito. E quando digo espírito, falo da verdadeira essência do homem, não na crendice de religiões fanatizadas que mistificaram a verdadeira essência do homem, que ludibriaram a verdade ao seu belo jeito. Esquecendo ou omitindo que o homem renasce a cada momento da vida, que ressurge como um novo ser. O que tem acontecido ao longo dos séculos, é que o homem tem sido guiado por “cegos” por homens sedentos de poder, homens que foram reprimidos e quando sentem que o têm são cavalos selvagens, sem freio. Passaram por este espaço muitos homens de poder aparente, mas poucos o sentiram verdadeiramente. Cristo – e quando falo de Cristo falo de uma Energia que simbolicamente representa o âmago do verdadeiro homem - era possuidor de um poder que ultrapassava o entendimento do homem comum. Daí que havia necessidade de matar um homem incómodo que não se deixava corromper pelo poder aparente dos homens. Podemos enviar toda a energia para salvar o planeta como é comum dizer, mas se a atitude do homem continuar a ser de: de manhã reza a um deus menor – e quando digo deus menor falo do deus criado pelo homem - em que afirma o seu poder aparente numa pura ilusão, tentando fazer crer ao mundo que é um homem de bem, que até leva a família à missa ou a outro culto qualquer, para mostrar a sua santidade, e quando acaba o tal culto criado pelo homens e alimentado pelas religiões institucionalizadas, ele volta a ser o que realmente é, um hipócrita, porque dá ordens para matar – há duas maneiras de matar, matar a forma ou seja o corpo, ou então castrar a procura do homem que é a morte normalmente seguida pelas religiões criadas pelo homem. Se assim é tudo continua na mesma, e por continuar na mesma ele sofre e diz não saber porquê. Tudo isto sempre em nome de uma causa, que apenas é sustentada por acólitos que um dia querem ser santos, e como não sabem como, pensam que por esta via é mais fácil. Aliás basta ter um bom contacto no Vaticano para ser mais fácil ser santo, ou então bastante dinheiro para poder arcar com todas as despesas inerentes a uma dita santidade. Buda e Cristo já devem ter comentado um com outro: estes terráqueos nunca mais aprendem, há milhares de anos na Terra e ainda estão fanatizados em tudo o que é o poder aparente, ainda não conseguiram vislumbrar o verdadeiro Deus, aquele que não se deixa corromper pelos pequenos jogos dos homens, aquele que está acima do bem e do mal, aquele que ensina o Amor, e o homem vê logo nele uma fonte de rendimento. Será que é o planeta que precisa de energia e ser salvo? Ou será o homem que ainda não entendeu que está na trilha errada da vida, está no caminho dos que querem morrer ricos de poder, mas que na realidade não passa de um pobre pedinte à espera de um dia ser santo, ou ser recordado pelos mosteiros que construiu ao aval de uma santa sanguinária, que ele imaginou e lhe prometeu o tal emaranhado de pedras com o suor de seus súbditos, dando-lhes a garantia que os infiéis lá iam morrer na bainha da sua espada, e que o mosteiro já estava garantido. Hoje tudo se repete, nada mudou, apenas o tempo é outro, mas os malefícios de uma mente desordenada continua a marcar pela negativa, a presença do homem neste lindo planeta que não precisa de qualquer energia, mas de Amor para que o homem modifique a sua estúpida atitude perante a vida, perante o planeta. O meu Amigo Carteiro diz que já conhece o homem como os caminhos do Universo, e diz: ele ainda não Ama, ainda vive enclausurado nas muitas máscaras que acumulou, ainda não vive na luz, ainda vive na completa escuridão. Até à próxima volta do correio. O que foi que Jesus Cristo ensinou? Meu Amigo professor, Jesus Cristo trouxe um valor único porque é a verdade e única declaração da Verdade da natureza de Deus e do homem, da vida, do mundo e das relações que existem entre eles. “Ele explica qual a natureza de Deus e qual a natureza do homem. A primeira coisa que nos ensinaste nas tuas aulas de magia, é que Ele veio romper com todos os preceitos comuns da ortodoxia. O facto puro e simples é que Ele nunca ensinou teologia. Disseste-nos que os Seus ensinamentos eram inteiramente espirituais ou metafísicos. Infelizmente, o cristianismo histórico tem-se preocupado demasiadamente com questões teológicas ou doutrinais, que, por mais estranho que pareça, nada têm que ver com os ensinamentos. O homem tem de ter a consciência que todas as doutrinas e teologias das igrejas são invenções humanas, fruto da mentalidade de seus autores e acrescentados à Bíblia. Nenhum sistema teológico e nenhuma doutrina podem ser encontrados na Bíblia. A verdadeira explicação para a vida humana jaz justamente no facto de que o homem é essencialmente espiritual e eterno e de que este mundo e a vida que conhecemos intelectualmente são, por assim dizer, apenas uma parte de toda a verdade. Olhando para um diminuto canto do Universo, e mesmo assim com olhos meio adormecidos, chegamos à conclusão que o homem engendrou fábulas absurdas e ridículas sobre um Deus limitado e semelhante ao homem, que dominava o seu universo mais ou menos como um príncipe ignorante e bárbaro poderia governar um pequeno principado. Todas as fragilidades humanas, como a presunção, a instabilidade, e o ressentimento, eram atribuídas a esse ser. Foi então inventada uma lenda exótica e inconsistente, a respeito do pecado original, da expiação pelo sangue, de castigos infinitos de transgressões finitas e, em certos casos, acrescentou-se uma terrível doutrina de predestinação para o tormento eterno ou para a felicidade eterna. Ora, nenhuma dessas teorias é ensinada na Bíblia. Se o objectivo da Bíblia fosse ensiná-las, elas seriam apresentadas de maneira directa e objectiva. O que houve foi que certos textos obscuros do Génese, algumas frases tiradas, aqui e ali, das epistolas de Paulo e um ou dois versículos isolados tirados de trechos das Escrituras, foram escolhidos e alinhados pelos teólogos, de modo a se obter o tipo de ensinamento que segundo eles, deveria ser encontrado na Bíblia. Jesus Cristo nada tem a ver com isso. Ele é tudo menos um optimista barato. Previno-nos, não apenas uma vez, mas repetidamente, de que a obstinação no pecado pode acarretar um castigo muito, mas muito severo, e que todo aquele que desprezar a integridade da alma – embora possa ganhar o mundo inteiro – não passa de um idiota digno de compaixão. Mas ensina-nos que só somos castigados por nossos próprios erros e que todo o homem, por mais afundados que estejam no mal, têm sempre acesso à Fonte da vida, ao Deus em que acredita, que perdoa sempre, e que fornece Energia sempre que nos ligarmos a Ele. Jesus Cristo tem sido ao longo dos séculos, infelizmente, mal compreendido, mal representado, e aproveitado pelas religiões para os seus fins que nada tem a ver com aquilo que veio ensinar. Nos seus ensinamentos nada há nada que possa servir de base a qualquer forma de religião, a qualquer hierarquia ou sistema ritual. Durante toda a sua vida pública Ele combateu os representantes da igreja da sua terra; primeiro, eles procuraram dificultar-lhe os movimentos e depois o perseguiram, com um perfeito instinto de auto conservação pois sentiam que a Verdade, como Ele a ensinava, era o começo do fim, para eles – até que conseguiram fazer com que fosse condenado à morte. Suas pretensões à autoridade, como representantes de Deus, foram completamente ignoradas por Jesus Cristo, que só demonstrou impaciência e desprezo por seus rituais e cerimónias. A natureza humana se inclina a acreditar naquilo em que deseja crer, ao invés de se dar ao trabalho de procurar o que Ele verdadeiramente ensinou. Homens perfeitamente sinceros têm-se nomeado a si mesmos líderes cristãos, têm-se dado os mais importantes e pretensiosos títulos, e envergado as vestimentas mais complicadas e enfeitadas com adornos de ouro e ignorância a fim de impressionar as pessoas, apesar do seu mestre ter dito, na linguagem mais simples que os seus seguidores não deveriam fazer nada disso. Jesus Cristo persistiu, num certo espírito de conduta dos homens e teve o cuidado de ensinar apenas princípios, sabendo que, quando o espírito está certo, os detalhes se encaminham por si mesmos e que realmente, a letra mata, mas o espírito vivifica, como ficou demonstrado pelo triste exemplo dos fariseus. Não obstante, apesar disso, a história do cristianismo ortodoxo é constituída, em grande parte, de tentativas para impor ao homem toda a classe de observâncias exteriores. Aceitar a vida é o primeiro passo do homem, para que a verdade se revele, mas só depois de a ter provado através das suas próprias experiências, a pode considerar sua. Jesus Cristo provou tudo o que ensinou, mesmo a vitória sobre a morte. Nenhum homem pode salvar a alma do seu irmão de percurso, nem pagar a sua divida. Podemos e devemos nos ajudar uns aos outros em momentos específicos da vida, mas, de modo geral, cada qual tem de aprender a fazer o seu trabalho e não estar à espera que um Deus o faça por si. Se realmente queres mudar a tua vida e modificar-te a ti mesmo – torna-te num indivíduo. A tarefa não é fácil, mas sabemos que pode ser realizada porque há quem a tenha levado a cabo…mas é preciso pagar um preço, que é o seguir esses princípios em todas os sectores da tua vida, em todas as transformações diárias, queiras tu ou não e, principalmente, quando tu não tiveres vontade de as seguir. Se estás preparado para pagar esse preço, para romper de verdade com o homem que tu és e iniciar a criação do novo homem – essência pura – então podes subir à montanha e contemplar a obra do Deus em que tu acreditas.” O meu Amigo Carteiro diz que Jesus Cristo ensinou o Amor, mas que o homem ainda não consegue entender esse Amor. Até à próxima volta do correio. O Homem e o Sonho Meu Amigo professor, disseste-nos que o sonho comanda a vida do homem que não quer ser apenas esperança desse mesmo sonho. Quantas vezes ao longo da vida desistimos do sonho que vem do fundo alma, que vem de uma parte não poluído da mente! Desistimos não porque ele não possa ser realizado, desistimos porque as muitas dúvidas assolam a mente inferior que facilmente se deixa corromper. Quando nos ensinaste a arte de sonhar também nos ensinaste a arte de realizar o sonho. “Um dia levaste-nos aos anjos encarregados de realizar sonhos, de realizar os pedidos que os homens tinham quando sonhavam. Chegámos na altura em que um dos teus anjos andava muito alvoraçado com o centésimo pedido que tinha recebido de uma jovem. Tu perguntaste-lhe qual era o pedido! O teu anjo respondeu – Senhor ela quer arranjar um marido. Tu respondes-te – Já não era altura de realizares o seu sonho! O anjo respondeu – Bem, Senhor… há aqui uma série de situações… --Quais situações? Como podemos manter a nossa máxima “pede e receberás”? --Senhor a jovem tem dificultado o meu trabalho. --Queres dizer que a culpa de não realizares o seu sonho é dela? --Senhor para que o sonho se realize – aquele que vem do fundo da alma do homem como Tu dizes – é necessário que o homem faça a sua parte. --Sim… e depois! --Depois… arranjei-lhe um encontro numa discoteca com um jovem que se encaixava no seu pedido. --Ela não aceitou? --Quando o jovem se aproximou dela para estabelecer um diálogo, ela não aceitou, dizendo que não era mulher de dar conversa a estranhos. Depois arranjei-lhe outro… e outro…e as reacções foram idênticas. --Como está a sua aceitação? --Direi que normal mas não para efeitos imediatos. Mas o seu principal problema são as suas muitas crenças, e uma delas sem que ela tenha consciência, é que ela faz os pedidos mas não sente que os merece. Um destes dias terei esgotado todos os pretendentes. De um modo ou de outro as suas crenças e o excesso de rigor têm impedido de realizar o seu sonho. --Já lhe deste um abanão? --Senhor ainda foi pior, começou a sentir-se mal, já não saía de casa, e começou e entrar em depressão. --Pensa uma maneira do seu sonho ser realizado, dentro dos padrões de honestidade. Dias depois levaste-nos novamente ao anjo. --Já vi que a jovem casou…o que é aconteceu para ela aceitar? --Senhor alterámos um pouco o nosso padrão de concessões. --Como assim? --Como ela tinha a crença que o primeiro beijo que desse a um homem era para assumir um compromisso sério, eu dei…um empurrãozinho. --Que empurrãozinho? --O beijo, foi forçado, mas como a sua crença era mais forte ela nem deu por isso. --Fiz mal…Senhor? --Bem a crença é sempre uma crença. E será que eles vão ser felizes para sempre? --Senhor com todo o respeito…há muito tempo que não vais à Terra. --Deste um largo sorriso que nos contagiou, e disseste ao teu anjo –Há coisas que tu ainda não entendes, e essa do beijo forçado é uma delas. Por isso eu te disse – será que vão ser felizes para sempre?” A vida realiza os sonhos que vêm do fundo da alma, mas tu tens de fazer a tua parte, tens que os alimentar com Amor para que eles se realizem, para que tenhas a consciência do que queres. Se o sonho vem do fundo da tua alma, é necessário que o seu alimento seja o Amor, através dele corrigis erros em acertos, sobrevivência em vivência, limitação em abundância, medo em coragem, ansiedade em liberdade, desespero em alegria. O meu Amigo Professor ensinou-me naquele momento, que os homens vieram a este e tempo para encontrar na vida a verdadeira felicidade, e não há maior felicidade quando se realiza um sonho que vem do fundo da alma. É um momento tão mágico, que transcende qualquer ideia que tenhamos tido em relação a ele. Só que insistia num ponto…nunca desistir do sonho, mesmo que o mundo inteiro esteja contra ele, porque só a nós ele pertence, quando somos fiéis na nossa perseverança e paciência. O meu Amigo Carteiro diz que nunca foi empurrado para dar um beijo, ele aparecia naturalmente na sua vida, só que não descurava a oportunidade, estava atento. Amigos, até à próxima volta do correio. As Trocas que fazemos ao longo da vida Meu Amigo professor mais uma carta, mais um encontro dos muitos encontros que tenho o privilégio de ter contigo. Ensinaste-nos que para sermos felizes neste espaço e tempo tínhamos de ser honestos com nós mesmos, até mesmo ao ponto em que nos dói, só assim conseguíamos viver a nossa verdadeira essência. Muitas vezes ao longo da vida fazemos trocas, deixamos círculos por fechar, abrimos feridas que não saram com o tempo. Por exemplo: Uma jovem que sai de casa de seus pais porque não suporta mais a humilhação de um pai ou de uma mãe. Para sair daquela situação ela troca a sua felicidade pelo primeiro homem que lhe dá um pouco de atenção. Sai então de casa e em muitos casos para não dizer a maioria, dá a sua alma para não continuar a ser humilhada. Começa então uma relação em que há uma troca, mas normalmente não existe Amor, porque aquela relação é um fruto que foi colhido verde. Normalmente a saída de casa é com raiva àquele pai ou àquela mãe, deixa um círculo por fechar e cria outro com a raiva inerente ao que viveu em casa dos pais. O homem que lhe deu atenção torna-se muitas vezes naquilo que aquele pai ou aquela mãe foram para ela, porque o Amor não foi a causa da união, foi a troca, a troca de uma situação não esclarecida dentro de si, não entendida, por uma outra somente de conveniência. Tu ensinaste-nos que não viemos a este espaço e tempo para fazer trocas, para hipotecar a nossa alma em troca do quer que seja. Que ao abandonarmos o verdadeiro estado de consciência que é a nossa essência, estamos a permitir que a Alma se iluda com o brilho ilusória da verdade e se enrede dentro dela. As trocas que fazemos é como a luz que faz brilhar o diamante, no entanto, é insidiosa. Ela confunde, baralha os sentidos, e deixa um rasto de dúvida, medo, desencanto e ansiedade. Amigos, muito coisa me ensinou o meu Amigo Professor e continua a ensinar. Por isso não deixes que os teus pensamentos dominem a tua raiva, os teus desencontros com a vida, porque se o fizeres, a raiva cria raízes que sufocam a tua Alma, que asfixiam a tua liberdade. Se pacificares os teus pensamentos através da meditação, nem a sombra da raiva se aproximará de ti. Porque se eles criarem raízes, deixarás de saber quem és. Todo o ser humano encarnado sente a dor quando atravessa o seu deserto, para entender um passado que ainda não foi esclarecido dentro de si, que ainda não foi aceite. Ele tem de renascer desse passado, viver e partilhar o caminho com ele, só assim ele o pode entender e libertar a sua alma em sofrimento. É ao longo do caminho que a flor do Lotus cresce, em sítios que só o próprio a pode encontrar. A sua semente liberta o homem, e faz renascer a vida sem dor e sem sofrimento. Ele desapega-se do mundo exterior para viver o aqui e agora com mais entendimento, sem ter que fazer trocas. Pergunta hoje a ti mesmo no silêncio da tua alma, quais as trocas que fizestes, se elas resultaram, se elas te fizeram feliz. Não te culpes pelas trocas, porque um erro tem sempre um acerto, só não tem quando o erro se torna repetitivo até ao ponto do desinteresse pela própria vida. Tu és como a flor de Lotus que nasce nos pântanos coberta de lama, mas a sua cor é sempre o branco puro. Assim é a tua verdadeira essência. Por muitas trocas que possas ter feito ao longo da vida a tua essência não muda, é pura como a flor de Lotus. Tu és essa flor, única, porque a natureza nunca se repete. Como a tua essência não muda, alguma coisa tem de mudar, és tu, és tu quem tem de mudar os padrões repetitivos do passado. O meu Amigo Carteiro diz que nunca fez trocas, por isso é livre como as águias que esvoaçam os céus, os céus das suas muitas vidas. Amigos até à próxima volta do correio. Para onde caminha o homem! Qual o sentido da família! Meu Amigo Professor, caminhar neste labirinto que é o mundo dos homens não é tarefa fácil. É um trabalho que requer atenção, porque o labirinto dos homens tem somente uma saída. Todas as outras possíveis saídas, não passam de armadilhas para dificultar a busca que incessantemente o homem procura. O labirinto é um espaço que a mente racional criou para dificultar o que em principio seria fácil. O Adão e Eva representam a dualidade do homem, representam a dificuldade perante os caminhos da vida de uma mente perturbada. Inventámos o labirinto para intelectualizar a nossa busca, para nos convencermos que a mente racional é capaz de resolver tudo. Veio a publico as últimas “exigências” do novo Papa. Já estávamos habituados a algumas arbitrariedades do seu antecessor, - o qual eu nutria um carinho especial como homem, como seu irmão de percurso - mas estas excedem todas as anteriores. «Subtilmente» como uma raposa astuta, ele aconselha que irá novamente ser introduzido uma língua que ninguém entende. A manifestação musical é persuadida a ser mais discreta, e o abraço também mais comedido…talvez um abraço cínico, hipócrita, tal como eles dão uns outros quando se reúnem para eleger o melhor entre os piores, que mais parecem ser setas envenenadas do que abraços fraternos. A “velhice” é linda quando vem com sabedoria, mas quando vem com estupidez, tornamo-nos feios. Mesmo que trajemos de linho puro, e artifícios de ouro que o ego tanto gosta, nada modifica aquilo que somos por dentro. A igreja católica diz que evangelizou os povos de África assim como também os países subdesenvolvidos, mas o que realidade fez foi espalhar igrejas e incrementar a ignorância, em povos que eram puros por natureza. Meu Amigo Professor, nas tuas aulas, «recordo essa imagem como se fosse hoje», que a língua dos homens era uma só. Que qualquer expressão musical era a alma do homem a dar som ao que mais profundo existia dentro dele. Quanto ao abraço… vi muitas vezes abraçares com tanto Amor que o nosso coração vibrava de alegria, pelo Amor que nos transmitias através dos teus braços. Hoje…à distância do tempo, os meus alunos no fim da aula também se abraçam, e mesmo aqueles que no principio não o faziam por medo de se entregarem, hoje…são os que mais forte nos apertam. Para onde querem as religiões que os homens caminhem! Para a dependência doentia de alguns dos seus lideres…para não dizer todos. Professor pergunto se eles realmente Te conhecem! Que ideia tens eles de Ti! Tu ensinaste-nos na «Oficina das Artes da Aprendizagem» a não depender do outro homem para evoluirmos, porque os caminhos da alma não estão dependentes do outro homem, mas sim de si mesmo. Criaram imagens destorcidas da própria realidade, porque não sabem o que é uma família. Falam em família mas somente em termos filosóficos, mas não conhecem o que realmente ela representa. Uma família vive, ri, canta, chora, faz birra, amua, desencontra-se para depois se voltar a encontrar, ri dos seus próprios erros, não é rigorosa, é livre, perdoa sempre, mas depois entende que nada à a perdoar, sai muitas vezes do sério, por vezes protege demais as suas “crias”, mas Ama sempre, abraça sempre…uma família é tudo aquilo que eles não conhecem, porque nunca a viveram verdadeiramente. Estão enclausurados em labirintos, em labirintos doentios que não os deixam exteriorizar os seus sentimentos, e quando por ventura o fazem tornam-se cínicos. Entregaram-se desmedidamente ao poder de controlar o homem, esqueceram-se que primeiro tinham de ser uma família criada na honestidade, e não na repetida mentira que eles vivem. O que eles vivem não é uma família, é um grupo doentio de pessoas desajustadas da vida, que acham que têm o direito sobre a vida do homem, sobre a alma humana. Tal como me ensinaste sou livre, tenho liberdade de não pertencer a qualquer religião institucionalizada criada pelo homem, porque me recuso a seguir caminhos feitos. Eles não querem que o homem seja independente, não querem que sejamos indivíduos, porque ao tornar-nos indivíduos, tornamo-nos pessoas únicas e livres. Tu nos repetistes muitas vezes nas tuas aulas onde se ria, cantava, brincava, e nos abraçávamos… que a busca é um caminho aberto à unicidade. É o caminho da conquista da família, o suporte, o pilar de qualquer civilização. As crianças que nos enviaste e que chamámos de índigo, cristal…vêm ensinar aos homens que estão presos nas suas masmorras da ignorância e da soberba, o sentido da estrutura família, o sentido da unicidade, o sentido verdadeiro da vida, não na teoria mas na prática da vivência sã e sem “donos” da alma humana. Meu Amigo Professor, o homem ocupa noventa por cento do seu tempo na procura desmedida dos muitos desejos, das grandes empresas que querem perpetuar depois do seu regresso a “Casa”. Alguns dos que já regressaram já viram os seus “castelos” ruir. De nada valeram os noventa por cento do seu tempo em prol do que eles imaginaram durar para sempre. O homem inteligente que não usa a mente racional como única, dispensa cinquenta por cento do seu tempo às suas experiências de vida, que abrangem toda a vida material necessária enquanto ocupamos este espaço. Os outros cinquenta por cento no laser da família, na sua busca individual, na musica, no abraço, na entrega do Amor, na vivência com o outro homem. Só assim conseguimos chegar à unicidade, só assim a estrutura familiar voltará a enraizar e tornar-se numa árvore sólida que aponta o caminho do «céu», o Campo de Energia Universal. O meu Amigo Carteiro está sentado no jardim a apreciar a natureza, enquanto escrevo esta carta para levar ao meu Amigo Professor. Perguntei-lhe se também usa cinquenta por cento do seu tempo para a sua família – disse: que agora ocupa cem por cento do seu tempo a levar cartas ao Professor. E a família? perguntei-lhe: estou sempre com ela…respondeu-me com um grande abraço. A sabedoria não é pertença dos vendilhões do tempo, ela revela-se aos que em humildade a procuram. Até à próxima volta do correio.O Código da Consciência Meu Amigo Professor, os códigos da dignidade dos homens é deveras assustador, diria mesmo nefastos. Nefastos porque as leis que os seus princípios encerram, ainda não foram embrandecidas pelo Amor, ainda estão presos na lei dos antigos mandatários. Quer dizer, presos em religiões ignorantes que teimam em ser donos do ser humano, mas não da sua alma, porque essa está longe da sua cobiça, não está à venda, não está a votos. Na tua “Oficina das Artes da Vida” ensinaste que ninguém tinha poder sobre ninguém muito menos da alma humana. Porque razão insistem e teimam, e são sempre os mesmos! Os mesmos que emparedaram dentro das suas muralhas feitas de pedras frias banhadas de sofrimento, mulheres que os moralistas engravidaram e não quiseram assumir, assumir os seus equívocos, como se uma criança fosse um equívoco. É pela voz desta gente que tal como nós anda na sua busca, que devemos dar ouvidos? Gente que em África impediu o uso do controle de natalidade, aumentado descontroladamente o número de infectados com sida. Pergunto a mim mesmo se isto é apenas um pesadelo que estamos a viver, ou se é mesmo realidade? Quem somos nós…? Filhos de um Pilatos que lavou as mãos no sangue do filho do “Homem”, ou somos meras criaturas arrastados e presos à roda gingante da ignorância que são as religiões? Será que voltámos ao tempo do circo romano, em que os cristãos eram entregues às feras para serem devorados? O circo romano da era moderna é a farsa montada pelas máscaras da falsidade, da ignorância e da mentira em que sempre viveram as religiões, e continuam a viver. Estarão elas interessadas na saúde e no bem-estar do ser humano, ou estão empenhados na continuidade do nada. O seu lugar na sociedade não é fazer politica, mas tratar das feridas que dilaceram o ser humano na sua caminhada por este espaço temporário, incluindo as mulheres que abortaram, sim esse seria o seu trabalho. Em vez disso gastam milhões em campanhas alimentadas pelos seus correligionários, campanhas para angariar mais adeptos para a sua causa. Qual causa? Será que defendem alguma causa quando ameaçam excomungar das suas igrejas mulheres que cometam o aborto, lançando-as na lama para que os dogmas prevaleçam no tempo? Não entendem a vida, não entendem que temporariamente ocupam um corpo, e que a eternidade está para além da forma com que viemos a este espaço, como disse temporário. Não te conhecem meu "Amigo Professor", aliás eles nunca reconheceriam um verdadeiro Mestre que passa despercebido entre os homens. Se te conhecessem, abraçavam e amavam essas mulheres, porque é quando mais precisam da compreensão dos homens, e mais ainda daqueles que se dizem interlocutores da alma humana. Se soubessem o que é verdadeiramente o Amor, limpavam as suas feridas, colocando-lhes vestes de linho puro e caminhavam com elas no meio dos homens. Subiriam à montanha de mãos dadas e contemplariam juntos o Universo, para que a Luz do eterno infinito despontasse ao encontro do Deus em que acreditam. Falam tanto em orações, mas não orar sabem, nem mesmo isso sabem fazer. Nem a lição da mulher pecadora lhes serve de exemplo. Têm talas para ver somente numa direcção, a direcção da ignorância e da estupidez com que alimentam a crença, o grande mal do homem encarnado. Procuram o Santo Graal como uma relíquia perdida no tempo, quando ele está dentro do próprio homem. Teriam de matar a humanidade inteira para o descobrir, e nem assim lá chegariam. Todos dias falo com mulheres com os mais variados problemas, algumas e são muitas com o estigma do aborto. Outras que poderiam estar em vias de o fazer. Aquelas que já o fizeram, mostro-lhes o seu melhor, abraço-as para aliviar a sua dor, amo-as, e tento que elas partilhem com os meus grupos de trabalho a sua dor, para sentirem que não estão sós. Quando elas partilham a sua dor, todos a envolvem de Amor, acariciam-na, beijam-na e dizem que estão com ela na sua dor. As que estão em vias de o fazer, tento mostrar-lhes até à exaustão as experiências das outras mulheres, para que possam ver o outro lado da vida que ainda não conhecem, para entenderem se ainda querem levar adiante o seu propósito. Valorizo sempre o seu melhor, a outra parte deixo que a sua consciência as ajude a aceitar o erro, para poderem fazer desse erro um acerto, para que não passem a vida inteira condenadas a um acto que na maioria dos casos não teve qualquer acompanhamento. Quando elevamos o melhor do ser humano, ele sente que não quer cometer o mesmo erro segunda vez. Mas um erro, mesmo que seja um aborto, pode vir a ser um acerto. Não me refiro às mulheres que abortam sistematicamente, como se o aborto fosse um anti-conceptivo. Há muito que não estou ligado a qualquer movimento religioso. Consegui a minha liberdade, liberdade por pensar por mim mesmo, sem intermediários entre mim e o Deus em que eu acredito. Curei-me do flagelo que atormentam milhões de seres humanos, o flagelo da ignorância versus oportunismo, as religiões. Tinha decidido não usar o meu direito de voto, pois não estou com o sim nem com o não, porque uma vida não se decide em praça publica como se tratasse de uma mercadoria. Tanta moralidade é tão pouca ética para tratar de um assunto que não pode estar sujeita a qualquer lei dos homens, seja ela politica ou religiosa, mas sim de uma profunda introspecção de quem está envolvido num momento de tão difícil decisão. Depois de tanta estupidez que tenho ouvido nestes últimos dias, decidi colocar o meu voto no sim, não para legalizar o aborto, porque para mim continua a ser não para a interrupção da gravidez tenha o tempo que tiver, mas para que a mulher tenha a dignidade como ser humano que precisa de ser respeitado, de ser assistida em condições humanas, quando o decidir fazer. Quanto aos senhores padres e altos responsáveis da hierarquia da igreja e não só, em vez de usarem crianças inocentes nos vossos slogans como se estivessem em campanha eleitoral, será melhor que se recolham nos vossos telhados de vidro, e continuem a excomungar fieis das vossas igrejas, quantos mais excomungarem melhor, assim ficarão com as igrejas de pedra vazias, e sem calor humano. Talvez assim os homens comecem a respirar paz, e a sentir finalmente o Amor que Jesus lhes quis ensinar, começando por retira-lo da cruz em que o colocaram, limpando as suas feridas que são as suas feridas, e deixar que Ele caminhe entre os homens sem o estigma do medo insistente com que as religiões nos acenam ora com o céu para os bons, e com o inferno para os maus, como quem diz, serem subservientes ás suas causas. O céu está dentro de cada um de nós, o inferno só as religiões o conhecem, por isso tanto falam dele. Não continuem a insistir no mesmo erro, ou seja, controlar a alma humana, será que não entendem que não vão conseguir. Meu Amigo Professor muitos tu ensinas, mas poucos são os que se revelam, esse é que é o grande Mistério, esse é o verdadeiro código da consciência humana, não julgar. Falam que é crime fazer um aborto, mas já não é crime excomungar uma mulher da sociedade como se ela fosse lixo, algo que já não presta. É pena que não conheçam o código da consciência do Amor, é pena que não conheçam o ser humano. Para mim é sempre vida qualquer que seja a circunstância, e isso para mim é irredutível, mas respeito o que cada um escolhe, não direi que é em liberdade, porque não o é, muitas vezes é feito em sofrimento. Quem não tiver errado que atire a primeira pedra às mulheres que abortaram, algumas delas poderão ser as vossas mães. O meu Amigo Carteiro diz que já escreveu muitas destas cartas, hoje somente as entrega. Recebeu das minhas mãos a carta com um sorriso e disse: ainda hoje a entrego ao nosso Amigo Professor. Perguntei-lhe porquê? Respondeu-me: há cartas que têm de ser entregues de imediato, e mais uma vez sorriu. Amigos até à próxima volta do correio. O Princípio e o Fim...são a mesma coisa Meu Amigo Professor, nas suas oficinas da arte como lidar com o homem e as suas dualidades, ensinou-me que o princípio e o fim eram matérias de um só entendimento. A dualidade do homem é ele que a criou e a usa como extremos – o princípio e o fim. Hoje, mais uma vez, à distância - só quando nos distanciamos podemos ver com mais clareza de mente tudo aquilo que nos rodeia - sinto o que as tuas sábias palavras queriam dizer. Ao ver as imagens brutais que passaram nas televisões de todo o mundo, aqui não é excepção, porque importamos sempre o pior, no nosso pior, pergunto a mim mesmo meu Amigo Professor, onde estava o homem quando lhe ensinaste a arte de Amar para se comunicar em harmonia com o outro homem? Quando lhe ensinaste que um princípio nunca justifica um fim, porque tudo não passam de experiências que nos deste para nós podermos evoluir a consciência ainda presa na bestialidade, com que nos movemos neste mundo de subsistência. Na realidade falamos uma linguagem que ultrapassa tudo aquilo para qual fomos ensinados. Então porque nos perdemos no tempo, porque deixámos que nos encaminhassem para labirintos guiados por “cegos”, homens que através de um poder exacerbado ficam loucos de raiva e de uma violência que ultrapassa qualquer ideologia? Porque nos deixámos fanatizar por religiões que atravessam sem qualquer pudor a mente do homem, e mais, que nos deixássemos corromper por essas mentes doentias e desajustadas no tempo? É através das religiões e não especifico sequer uma em particular, porque todas elas cometeram e continuam a cometer o mesmo erro – criar e espalhar a ignorância sobre os homens, para que assim os possam dominar por completo, dizendo palavras enroladas em serpentes que envenenam a mente inferior – a mente pobre e corrompida pelos muitos desejos – de um homem que já não se reconhece como homem, mas sim como um farrapo ao sabor do vento pestilento da miséria humana. Meu Amigo Professor quem somos nós…? Já sei… a resposta sou eu que a tenho de dar e não tu, na realidade porquê tu, se nos ensinaste que a liberdade era um bem comum a todo o homem! Mas de que liberdade é que eles falam? Não é certamente aquela que nos ensinaste na escola das artes do saber Comunicar e Amar. As imagens de um homem sem conhecimento que foi enforcado pelo homem de dito conhecimento, faz-me sentir triste e envergonhado, porque se alguma dignidade houve naquele momento foi o do tal homem sem conhecimento, porque o outro desceu ao mais baixo nível de crueldade humana, fez pior do que o outro, porque este o fez em consciência, o outro, fê-lo porque era um inconsciente que devia ter sido castigado e retirado da sociedade, até que conseguisse tomar a consciência dos seus actos, e não o fizeram por conveniência, para se esconderem numa moralidade doentia, enraizada em crenças e mais crenças. Agora o que foi feito naquele espaço cercado de cobras perversas, é um acto miserável de agonia humana, é ver um ser descer ao mais profundo dos “infernos” por homens que não são melhores do que ele. O que fizeram foi criar uma divisão ainda maior entre os homens. De longe, as religiões cinicamente acenam ou em favor ou em desfavor, mas todas elas já mataram e continuam a matar o melhor do ser humano, que é retirar-lhe a liberdade de escolher por ele próprio o seu próprio caminho, para que estes abutres que controlam a vontade humana, usem “palhaços” vestidos de homem de moral para satisfazer os seus caprichos, num antro que cheira a sangue do cordeiro. Até quando é permitido ao homem tanta promiscuidade, sobre a capa cínica e desconcertante da moralidade e dos bons costumes? Finalmente, o que é ser um homem de moral? Será mesmo que eles se convencem que o são? Eu assumo que não sou um homem de moral, porque não me revejo nessa depravação de palavras elaboradas no laboratório da moral humana. Assumo aqui e agora que não sendo nem querendo ser um homem de moral, estou a aprender a arte que o meu querido Professor me ensinou nas suas escolas de arte de um Guerreiro, que é ser “Impecável”, na forma mais pura e sem cinismo como abraço os relacionamentos humanos. Ajo através da minha essência que não muda, ela é “Impecável”, não está poluída pela moral do cinismo humano. Para que a essência não mude, porque como disse ela É “Impecável”, há algo que tem de mudar no homem, que é a sua atitude perante os outros, mas essencialmente sobre si mesmo, deixando de ser mentiroso compulsivo. De manhã veste-se a rigor e entra num templo para rezar a um Deus inexistente, à tarde lava as suas mãos na hipócrita moral e mata, mata a aparência do homem, mas não consegue matar a sua essência, porque essa está longe da cobiça dos homens gananciosos e sedentos de poder, vestidos com artifícios pomposos e anéis de ouro, talhados na forja da ignorância e da estupidez humana. O princípio e o fim são a mesma coisa, por isso um dia nos encontraremos perante essa realidade, realidade sem vestes, nem palavras vãs, mas com uma profunda consciência. As minhas palavras são duras? Não…não são. Dura é a nossa consciência quando se corrompe com o mundo das circunstâncias. O meu Amigo carteiro diz que sempre usou a “impecabilidade” como o seu princípio de Vida, que também segundo ele é igual ao fim. Até à próxima volta do correio. O Curador do Amor O Meu Amigo Professor falava nas suas aulas sobre a cura dos males que atacam o homem. Disse-nos, que o maior mal era a ignorância de não saber quem realmente ele é, daí que os males que o atacam são criados por ele mesmo. Perguntei-lhe como é que eu poderia curar os seus males. Respondeu-me sem impor qualquer autoridade sobre a minha liberdade: --Não podes curar aquilo que o homem ainda não entende. --Mas aprenderam, tal com eu, a arte da cura pelas mãos! --Quando estiveres junto deles, vais esquecer essa arte, vais esquecer o que aqui aprendeste. --Como é possível esquecer o aqui aprendi? --Porque vais entrar dentro do mundo das circunstâncias, vão controlar a tua mente oscilante, vais esquecer quem realmente és. --E o Professor não faz nada? --Já fiz! dei-lhes a vida… Hoje, lentamente vem-me à memória outras experiências, tudo o que Ele me ensinou. Tem sido um trabalho intenso de constante pesquisa interior trazer à vida tudo o que aprendi, e que por um espaço de tempo esqueci. Neste labirinto que é a vida que o homem construiu, entendo melhor as suas sábias palavras. O homem sobrevive com a ilusão que está a viver, num mundo cheio de contradições, crenças, medos e tudo o que prende o homem à ilusão de que está acordado, quando se encontra em sono profundo, um sono apático e sem qualquer sentido, sem força e coragem para enfrentar os desafios que a vida lhe propõe. Leva a vida a citar homens que passaram por este espaço temporário, tentando imitá-los em tudo, mas sem qualquer rasgo de inteligência, sem qualquer criatividade. O homem criou um estereótipo de um homem bem sucedido, com muitos bens, para ser aceite pela “colmeia” dos homens bem sucedidos e bem falantes. Aliás, é importante falarem bem, em especial com “palavras caras” que poucos entendem, mas que muitos aplaudem, porque também almejam um dia ser um estereótipo que a sociedade criou. Um estereótipo não pode ser curado através das mãos, não tem sensibilidade para sentir a maravilhosa energia, aliás rejeita-a, diz que os seus males não são curados através daquilo que ele não vê. O estereótipo foi ensinado a ser um homem frio e calculista, medindo tudo com o intuito do lucro, sobre a luz de uma moral e de um poder criado de propósito para os “homens bem comportados.” A cura pelas mãos é uma realidade dos novos curadores, curadores que se entregam à causa da humanidade sem nada exigirem, sem ego, sem a vontade de curar quem quer que seja, simplesmente sendo canais para que a energia possa fluir sem qualquer interferência do curador. O curador leva à percepção de que existe uma porta para a cura. O seu trabalho não é entrar nessa porta, simplesmente ajuda abrir a porta e vem-se embora, não entra dentro dela, essa, é somente para o que procura a cura. Só então a cura é realizada. O curador vai à essência do mal que afecta o homem, não o deixa somente no limiar da dor, ele aprofunda-a gentilmente para a libertar. Quando eu falei em estereótipo, falei do homem comum que não sabe quem é, que não quer ser curado dos seus males, porque esta energia não cura a ignorância, a estupidez e a rigidez do homem estereotipado, porque ainda não Ama, ainda não sabe o que é o Amor. A cura pelas mãos disponibilizada pela Energia Superior, só pode ser feita através do Amor, sem qualquer sentido de autoridade, ou de atentado à liberdade do outro homem. A cura pelas mãos é o trabalho intenso que o homem tem de desenvolver, mas para que isso aconteça, tem de se libertar das crenças, e a religião dos homens é a pior das crenças. Um curador é religioso mas não tem religião. Religioso é todo aquele que se liga na Energia do Amor, porque ser religioso é um acto natural da criação, é religar, esse é um trabalho de um curador, religar a energia através do Amor. O meu amigo carteiro diz que nunca teve qualquer religião, mas que é religioso. Por isso diz ele, que nunca adoece. Pensem bem sobre esta carta, não estejam de acordo comigo e até rejeitem o que a minha alma transmitiu em liberdade, porque isso não é importante. Mas, como seres inteligentes e livres leiam algumas vezes o que escrevi, e, talvez comece a fazer-se luz no fundo do túnel, entrar dentro da porta é tarefa vossa e não minha. Amigos um Natal com muito Amor, e até à próxima volta do correio.Regresso a "Casa" Meu Amigo Professor, quando avançamos no tempo um medo aterrador invade as nossas crenças, invade as nossas muitas dúvidas. Sim estou a falar da morte, esse tabu que continua assustar e a entontecer a mente racional do “homem”. Lembro-me que o meu Amigo nos ensinava a arte de viver, mas sempre ia dizendo que também era uma arte regressar a “Casa”. Disse-nos que a Vida nunca deixava de ser Vida só porque regressávamos a “Casa”. Na sua profunda Sabedoria deixava sempre alguma coisa para que em liberdade entendêssemos por nós. Se o “homem” pudesse entender que não tem formas definidas, mas sim uma “consciência pura”, a perspectiva da transmutação seria completamente diferente. Entenderia que, o que na realidade acontece é um acto de “magia”, simplesmente o corpo físico deixa de ter uma forma. Passamos apenas a ser a testemunha de dois corpos que se separam. O movimento desse testemunhar deixa no caminho uma aura de luz brilhante, luz de uma nova forma de Vida que começa. O meu Amigo Professor disse que a morte de um corpo só nos perturba, porque a rejeitamos, porque temos medo de a assumir. Também fizemos essa rejeição quando acordamos para esta nova forma de Vida. Mas como podemos dizer a alguém que está de regresso a “Casa” para a aceitar sem qualquer rejeição? Já sei que vai dizer que se nos agarramos à Vida, o Regresso será um pesadelo. Mas enquanto o “homem” não destruir o mito da “morte”, ele não vai entender verdadeiramente a Vida, não vai entender que é Eterno, na sua mente tudo acaba com a “morte”. Também nos disse que se pudéssemos unir a meditação ao sono, a libertação do corpo era suave e profunda. Assim como também que havia momentos em que iríamos dar a energia de Vida a um Amigo, e outras vezes, a energia do Regresso a um outro Amigo, em ambos os casos a Vida é a mesma, o que difere é a forma. Se na realidade pudéssemos entender que o que chamamos – morte – não é mais do que um intervalo entre dois estados de consciência, querendo dizer que num momento temos um corpo, no outro momento deixamos de o ter, mas a consciência pura permanece, porque o que é eterno não deixa de o ser, só porque não temos um corpo. Há uma frase sua que está no meu livro de memórias: “Se puderem entender a arte de “morrer”, vão “morrer” com um sorriso nos lábios”. Professor tento ensinar aos meus “alunos” essa sua arte de “morrer”, mas como posso eu transmiti-la, se ainda não pacifiquei as minhas memórias! Há distância, revejo-o numa dimensão que guardo no fundo da minha Alma, revejo-o nas nossas longas conversas, nas minhas picardias de aluno inexperiente que sabe tudo. Hoje há mesma distância sei que pouco sei, na realidade também guardo na minha Alma de memórias, que o meu Amigo Professor é um Mestre, embora nos dissesse vezes sem fim que não era. Fomos programados pelas religiões do passado e do presente, que quando “morrermos” os bons vão para o céu, e os maus para o inferno. Mas o Professor sempre nos disse que o único inferno do “homem” é aquele que ele faz a si mesmo. Quanto ao céu, ria-se quando falávamos nele. Mas nesse seu sorriso, estava implícito que não havia o céu inventado pela ignorância do “homem”, e, que Deus algum separava os bons dos maus, como pode alguém separar o que tanto Ama! O meu Amigo carteiro diz que sabe quando vai regressar a “Casa”, e quando esse tempo chegar quer ter o maior sorriso da sua Vida, porque segundo as suas palavras: “Não posso abraçar a outra forma de Vida, com um sorriso fechado, numa “Casa” que tão bem conheço”. O meu carteiro tem um dom especial, está atento às muitas formas de Vida. Está a chamar-me à atenção que é tempo de levar a minha carta de regresso ao meu Amigo Professor. Ele diz, que quando esse tempo chegar não o podemos adiar mais, na realidade a minha carta vai deixar de me pertencer, para pertencer-lhe definitivamente, nas minhas mãos apenas ficou de passagem. Um abraço numa dimensão que só os verdadeiros “Amigos” entendem. Até à próxima volta do correio. Amizade Meu Amigo Professor não sei se já sabe do regresso a “Casa” do Frederico. O Frederico era o mais tímido da aula, o professor muitas vezes o “picava” para que ele acordasse e despertasse para a Vida. Muitos anos nos separam desses maravilhosos dias. Eu e o Frederico éramos muito Amigos e partilhávamos tudo. Um dia pela minha intolerância zangámo-nos, nunca mais nos cruzamos, assim como os muitos Amigos que na altura fiz. Mas guardo dentro de mim uma profunda Amizade por ele, e por todos aqueles que caminham desde o dia que nasceram, o caminho de “Casa”. Quis a Vida que fosse desta maneira violenta que nos reencontrássemos depois de muitos anos, mas sem o nosso Amigo Frederico. O que fomos ontem é passado, no passado todos éramos jovens à procura da Vida, facilmente nos zangávamos, coisas de jovens inexperientes. Hoje, a Vida nos mostra quanto importante é manter a Amizade de um Amigo, mas na altura, a nossa jovem Vida ainda não entendia assim. Não podemos voltar ao passado e alterá-lo, mas podemos aprender com ele a entender o aqui e agora, porque na realidade é só o que temos. Teria tido muito gosto em ter convidado o Frederico para o casamento do meu filho, mas se calhar não tive a vontade suficiente para o fazer, ou, até pensei que ele não quisesse vir. Não podemos alterar o passado, não pudemos mesmo que quiséssemos fazê-lo voltar para trás. Mas podemos caminhar no presente com a Amizade dos verdadeiros Amigos; e, como o professor muitas vezes me ensinou,todos são nossos Amigos. O Frederico já fez a sua passagem para um outro nível de consciência, apenas o seu corpo deixou de ter uma forma, porque a sua essência continua. Como o professor sabe não estou a falar de religiões, nem de seitas ou afins, porque também há muito me afastei delas para me encontrar comigo próprio, estou-lhe a falar das nossas experiências nesta Vida temporária. Todos viemos com uma missão e com um sonho para realizar, quando acabarmos, vamo-nos embora de regresso a “Casa”. O Frederico acredito que cumpriu a sua missão, aquela que o trouxe a este espaço temporário, assim como também o seu sonho. A maneira como regressou a “Casa”, ele hoje já a entende, a nós, ainda nos é vedado esse mistério. Li o que escreveram sobre ele as pessoas que com ele mais de perto contactaram, e, todos afirmam que ele vai servir de exemplo aos que vierem a seguir. Não tenho qualquer dúvida que a sua missão foi cumprida, aos Amigos cabe a tarefa de prosseguir também com a sua missão, aquela que a todos nos trouxe a esta Vida temporária. Sei que não vai ser fácil esquecer o que já é passado, o Frederico já é passado mas também é presente; o Professor sabe do que eu estou a falar...! A morte não é mais do que a transição de um estado de consciência para outro, é a Vida para além da Vida. Se entendêssemos que não somos seres humanos que de vez em quando têm experiências espirituais, mas sim, que somos seres espirituais que de vez em quando têm experiências humanas, não sofreríamos com a morte do corpo, entenderíamos que existe muito mais para além do que realmente os nossos olhos podem ver. O Frederico hoje já entende melhor do que nós o mistério que nos liga à Vida, e à Eternidade. Para mim descobri que sou um ser espiritual que vive temporariamente uma experiência humana. Tento ligar-me pela Amizade a todas as pessoas da minha vida em termos de encontrar, não as suas formas, mas antes a parte divina que está para além das formas. Ao descobrir essa parte tão bonita dos “meus irmãos de percurso”, comecei a sentir uma enorme harmonia na Vida; comecei a descobrir a ligação de todos e de tudo. Percorremos um troço do caminho com os que Amamos, aqueles a que nos unimos em profunda Amizade, mas, mais cedo ou mais tarde todos terão de tomar posse dos seus verdadeiros bens – as suas experiências de Vida – e seguir caminho por solitárias veredas. Meu Amigo professor, quero expressar do fundo da minha Alma a minha verdadeira Amizade, o meu grande Amor que tenho por si, antes que a minha outra Vida tome a sua verdadeira consciência. O carteiro está à espera da carta para seguir o seu caminho. Estou longe do reboliço das grandes cidades, que não conhecem a Amizade. Aqui, na “minha aldeia”, ainda tenho a Amizade de um “carteiro”, que espera que eu termine os meus pensamentos profundos, para poder por os pés ao caminho. Um abraço numa dimensão maior de Amor, deste seu discípulo e Amigo.
Tempo de Reflexão Meu Amigo Professor, agradeço à vida a oportunidade de reunir a minha família nestas férias, o que nem sempre é possível pelos seus afazeres profissionais, e, deixar-me envolver como uma criança que adora brincar com as outras crianças. Ao longo do trabalho que tenho vindo a desenvolver, tenho enfatizado que a estrutura familiar é tão importante, como o respirar é para a vida. Foi esse o entendimento que soltei para que a minha criança desse azo a fazer tudo aquilo que fazia quando veio a este espaço no estado de inocência. Mergulhei em águas profundas de rios que correm até ao infinito; joguei à bola na água desses rios; andei de canoa com a minha a minha Amada, e fomos à procura da nascente da vida, que embalava a água cristalina dos rios das nossas muitas vidas. Toquei em cada pedra polida do fundo do rio, os peixes ingenuamente mordiscavam as minhas mãos à procura de comida. Vi a minha neta Carolina saltar para dentro de água e pedir que brincasse com ela. Dei comigo a fazer diabruras como só as crianças sabem fazer. A Carolina sentia que também eu era uma criança, e aos saltos na sua inocência dizia –O vovô tá tó tó da cabeça…vovô gosto muito de ti do coração…o vovô diz que eu sou uma princesa. É a vez do meu neto David dizer –Vovô vem brincar na areia comigo…vovô deixa-me regar contigo o jardim. À noite diz à mãe –Estou muito cansado, brinquei muito com o meu avô. A Carolina chega junto de mim e diz –Vô…põe a tua mão do meu dói dói e pede aos Amigos para o dói dói passar. É a vez do David –Vô as minhas calças estão apertadas o cinto fez aqui um dói dói ao David, põe as tuas mãos e pede aos Amigos para que o dói dói passe. A noite chega e tento contar as estrelas do céu. Pergunto ao meu guia Lucas se posso ter uma só para mim. Diz-me –Todas as estrelas te pertencem, todo o Universo te pertence. Mas não as apertes como tuas, se o fizeres, matas a sua liberdade, assim como a luz que ilumina o teu caminho. Dei conta sem contar o tempo que o dia era maior do que eu tinha imaginado. Eu podia fazer tudo aquilo que eu quisesse, e, ainda assim me sobrava tempo para escrever noite fora, como se a noite fosse apenas o prolongamento do dia, sem contudo sentir cansaço. Valeu a pena todo o tempo que dedicámos a construir esta família. “Ensina a criança os caminhos da vida e do Amor, que ela nunca esquecerá o que em Amor aprendeu”. Era esse Amor que eu estava a receber. Nestas férias revivi outros tempos do passado, mas não senti qualquer dor, apenas…nostalgia dos que comigo partilharam outros estágios da minha vida. O que me ensinaram, e o muito que me Amaram. Estava grato pelos momentos que me deram ontem; hoje, outros momentos estavam a ser vividos; outros desafios; somente igual, é o Amor, o Amor que o meu coração sente nos mistérios de uma alma liberta de preconceitos, e de frases feitas que o vento há muito levou. Nestas férias também me sobrou tempo para passar energia a duas Amigas que estão de regresso a “Casa”. Pedi ao Deus em que eu acredito, energia para que a sua transmutação fosse consciente e sem revolta, conscientes de que este era o momento em que dizemos adeus às coisas efémeras, e, nos fixamos na vida que nunca morre. Uma Amiga estava na agonia da morte. Perguntei-lhe se estava consciente do que eu lhe estava a transmitir. Abriu por uns instantes os olhos e acenou com a cabeça dizendo que sim. Partiu oito dias depois de ter estado com ela. A outra Amiga estava consciente e muito lúcida. Pedia-me que eu pedisse aos Amigos que a levassem durante o sono, porque estava em muito sofrimento. Falei-lhe da “passagem”, falei-lhe da dimensão que a sua alma iria atravessar, falei-lhe do seu novo mundo. Aceitou em consciência o que lhe disse, e fizemos um pacto, eu iria sentir quando ela partisse. Nestas férias também tentei dar uma força a Amigas que estavam em desespero. Quando não estamos controlados pelo tempo, ele dá para tudo o que quisermos fazer. Nestas férias senti o quão importante era a minha missão e o meu trabalho. Agradeci à vida o propósito que me trouxe a este espaço e tempo. Agradeci ao Deus em que acredito a família que me foi dada, sem ela…eu não seria o que hoje eu sou… uma criança que brinca com as outras crianças, uma criança que sabe dizer obrigado à vida. O meu Amigo professor ouviu em silêncio a minha alma – só os Mestres sabem ouvir o silêncio da alma – e diz: “A tua criança e a tua alma são uma só, a ilusão que habita na face do homem diz que são duas.” Foram somente estas as suas palavras, que a minha alma agradeceu tanta sabedoria, dita com um Amor que jamais o homem pode entender. O meu Amigo carteiro espera pacientemente que eu termine esta carta sem me interromper. Algo difícil para o homem que corre com o tempo. Diz que apenas voltou a este espaço e tempo para ensinar a mais difícil das artes de um feiticeiro, a paciência. Quanto ao tempo…diz que ele não existe. Amigos, até à próxima volta do correio.Ultimato à Cegueira Meu querido Amigo Professor, a “cegueira” está a abalar o homem na sua caminhada por este espaço e tempo. Pergunto a mim mesmo porque quis novamente reencarnar neste mundo de “cegos”? Mas obtenho facilmente uma resposta. Vim integrar-me numa família de verdade, e partilhar com outros pela experiência vivida essa estrutura, que permite que através da verdade se formem outras famílias. Pelo Amor que tenho obtido tem valido em absoluto a minha reencarnação nesta genealogia. Muita gente me procura para que os cure da “cegueira” em que se deixaram envolver. Mas para curar um “cego” é preciso que primeiro que ele entenda que o é. Há dois tipos de “cegueira” que acometem o homem neste espaço que ele temporariamente ocupa. Primeiro é o “cego ignorante”, mais tarde, depois de polido exteriormente torna-se num “cego estúpido”, que não vê um boi à frente de uma palácio, mas continua a dizer que não tem problemas de visão. O “cego ignorante” ainda pergunta o que é aquilo que ele está a ver, porque não consegue diferenciar um boi de um palácio. O “cego estúpido” diz que aquilo em tempos deve ter sido um palácio, mas não vê o boi. Esta analogia pode parecer desconexa, e é desconexa, porque quem se reproduz mais rapidamente é o “cego estúpido”. “Cego estúpido” parece ser uma palavra muito forte, mas não consigo encontrara outra para a estupidez mesquinha do homem. Meu Amigo Professor descodifica com o teu entendimento esta aparente charada. “Carlos, o “cego estúpido” como tu descreves na tua analogia, é quem domina o mundo dos “cegos ignorantes”, porque se dividiram. Dividiram-se porque a “cegueira” tornou-se numa crença, e é através das muitas crenças que eles ficaram “cegos”. Mas ser “cego ignorante” ou “cego estúpido”, é apenas uma questão de palavras, porque na realidade são ambos “cegos”. Quando o homem saiu da limitação da ignorância, entrou no mundo da racionalidade estrita, no mundo da intelectualidade. Sentiu que podia através desse conhecimento de palavras bem colocadas, reduzir a diferença entre os “cegos”. Mas o que aconteceu é que se deslumbrou com a falsa luz que vinha da tal imagem, da imagem que ele diz ter sido em tempos um palácio. Começou então com a sua “cegueira” a manobrar outros “cegos”, que embora ignorantes também fazem parte da mesma linhagem. Mas por mais voltas que dêem à linhagem, a “cegueira” tem impiedosamente aumentado. Neste momento já nem um nem outro conseguem ver as sombras do boi ou do palácio.” Professor sábias são as tuas palavras, por isso consegues ver para além da “cegueira”do homem. Os “cegos estúpidos” criaram religiões para o bem da irmandade, mas cada vez a “cegueira” é maior e mais descontrolada. “Cegos” não podem guiar “cegos”. Criaram a globalização também para bem da comunidade, mas o que acontece é que cada vez são menos a mandar e mais a trabalhar para a “colmeia dos cegos estúpidos”. A sua colmeia fica cada vez mais rica, mas o “cego ignorante” cada vez mais pobre. Ambos os “cegos” criaram uma bola para se recrearem nos seus tempos de lazer. Nem a pobre bola escapou da “cegueira” do “cego estúpido”, que cedo chegou à conclusão que podia tirar muito partido daquela simples bola. Agarrou com o poder da sua colmeia, meia dúzia de “cegos ignorantes” e disse-lhes que aquela bola podia fazer deles “cegos estúpidos”, mas cheios de poder e dinheiro. Eles seguiram à letra o que lhes foi dito, e pensam que só por dar um pontapé na pobre bola já são heróis nacionais. Hoje até a desventurada bola se tornou “cega e estúpida”, porque se deixou guiar por “cegos estúpidos” e corrompidos. Os “cegos estúpidos” donos desta gigantesca colmeia que nunca ninguém sabe quem são, porque estão escondidos entre o que eles chamam "acções", que em princípio pelo próprio nome deviam ser boas acções, no entanto são diabólicas, porque através delas criam tudo que possa ser manipulado por eles. Na longa lista de manipulações da colmeia, vêm as religiões organizadas que têm a imunidade de criar “cegos estúpidos”, para distribui-los nos lugares chave da sua colmeia. Através deste princípio sacramental vêm os governos feitos, jogadas cirúrgicas para que o dinheiro esteja sempre do lado da sua colmeia, e guerras programadas para que o homem continue sempre estúpido. Mas à frente do mundo dos “cegos estúpidos” está sempre uma religião, são elas que mantêm o homem nesta dualidade, nesta agonia de um mundo armadilhado pela estupidez do homem. Se tomaste a consciência que já passaste por estes dois estados de consciência – “cego ignorante” e “cego estúpido”. Respira fundo e vai ao encontro da verdadeira vida, longe da “cegueira colectiva” em que o mundo dos homens mergulhou. Sente que há em ti um novo dia, e que os teus olhos vêm pela primeira vez a luz, uma luz que um dia viste quando vieste a este mundo, mas que cedo esqueceste. O meu Amigo carteiro diz que a “cegueira” mostrou ao homem um palácio exterior, a verdadeira luz mostrou que o palácio é dentro e não fora. Meus Amigos pode ser duro o que hoje partilhei convosco, mas não pude deixar de o fazer, a luz da minha consciência não permite a minha omissão. Até à próxima volta do correio.
Código Da Vince Meu querido Amigo Professor, quis a crença dos donos da verdade absoluta, prescrever placebos que ditam o destino do homem como se estivesse cristalizado. Por estes dias alguém escreveu o código Da Vince, e as altas esferas do Vaticano tremeram de medo da verdade, mas o autor apenas retratou uma parte da possível verdade. Com alguma coragem inicial, o autor tentou abrir um pouco o véu do obscurantismo e autoritarismo de uma igreja perdida no tempo, mas que o autor acabou por desculpar no seu “romance”, os verdadeiros autores do massacre humano, massacre perpetrado por homens complexados em querer fazer alimentar uma raça superior que controle mais uma vez, e desta vez para sempre – pensam eles – o destino da alma humana. É mais uma dependência, mais uma maneira de disciplinar o homem às garras dos bem intencionados, só que de bem intencionados está o inferno da ignorância cheio. Falo concretamente das acólitas ramificações da igreja que o código Da Vince fala, que não se inibem de ostentar riquezas, quando nos seus sermões repetitivos e desajustados do tempo enfatizam o sacrifício e a pobreza. Estão a disciplinar jovens com a doentia vertente do sacrifício para chegar a Deus. Incentivam a usar o cilicio, um instrumento bárbaro usado no passado por homens doentios, presos à crença de uma religião que enfatizava o sacrifício como um acto de obediência a Deus. Há um silêncio sepulcral do verdadeiro filho do homem, que também é filho de Deus, de uma Energia que religião alguma pode ou sabe explicar. Meu Amigo professor, quem são estes homens, e de onde vieram? Será possível que uma boa árvore dê frutos apodrecidos! --Meu Amigo Carlos…meu Amigo Carlos…a árvore do Deus em que tu acreditas, brotam homens que não precisam de qualquer seita. --Estás a dizer que as religiões são seitas! --Estou a dizer que da árvore que jamais homem algum criou, saem os filhos dos homens, que também são filhos de Deus. Mesmo ao lado dessa árvore há uma outra, mas essa foi criada pela ignorância do homem em querer substituir Deus. Todos os que vêm dessa árvore vêm tentar contra a Sabedoria do Mundo e o código da sua linguagem, que os verdadeiros filhos do homem que também são filhos de Deus conhecem. Esta árvore é uma metáfora, a metáfora daqueles que encontraram na árvore do paraíso a tal serpente e as maçãs do “pecado”. Os que se alimentam desta árvore são os que estão agarrados à roda gigante e monstruosa da ignorância. Ela representa o atalho, o tal placebo inocente que se torna mais tarde no seu verdadeiro sofrimento, porque entregou a sua alma a homens que também andam na mesma procura. Quem entra pelo atalho descobre a árvore do paraíso, a serpente e a maçã. Têm à sua espera homens encapuçados com vestes de linho manchadas com o sangue do carneiro, aliciando os incautos caminhantes com muitos desejos, mas que em troca lhes entregam a alma com refém dos muitos desejos que hipoteticamente recebem. Meu Amigo Carlos, quando descodificarem a linguagem do Amor, que os verdadeiros filhos do homem que também são filhos de Deus conhecem, a árvore do paraíso perecerá com o raiar da manhã, só então o homem se torna um verdadeiro filho de Deus. Esta conversa com o meu Amigo Professor, é das muitas que temos tido onde não há tempo nem espaço. Há distância do que penso ser o tempo sinto que já percorri esse atalho, também entrei nessa doentia dependência por algum tempo. Hoje sou um filho do homem que também é filho de Deus, não quero a ilusão, quero a vida, sou livre. Os homens chegam e partem, muitos nem se apercebem que estiveram aqui a fazer uma experiência em liberdade, foram sempre condicionados por terceiros, viveram agarrados à árvore do paraíso. Viveram as suas vidas sem Amor, porque nunca tiveram liberdade para saber o que era verdadeiramente o Amor, que o filho do homem que também é filho de Deus tão bem conhece. Todas as religiões são psicológicas, uma psicose doentia de difícil tratamento, embora o diagnóstico vá sendo cada vez mais claro e objectivo. O meu Amigo carteiro diz que hoje dei largas à minha liberdade, liberdade de um verdadeiro filho de Deus, do Deus em que eu acredito. A árvore é a mesma, a ilusão diz que são duas, a escolha é tua, se usares a coragem para encontrar a tua verdadeira liberdade. Até à próxima volta do correio. As Pequenas Guerras dos Homens Meu querido Amigo Professor, à distância de um tempo que as minhas memórias guardam no fundo da minha alma, pergunto muitas vezes a mim mesmo para que servem as pequenas guerras que os homens travam entre si? Por muito que me esforce para ouvir uma resposta, a verdade é que não há qualquer resposta. É como se a pergunta fosse engolida pelos buracos negros do universo. Os buracos negros são por natureza um exercício de abstracção mental, um exercício para pacificar a dualidade mental do homem, mostrando-lhe que não há respostas para essa dualidade enquanto não entender as leis que governam o universo, leis que os homens ignoram por completo distorcendo o movimento do tempo e espaço. Por isso eu não posso ouvir uma resposta, porque as pequenas guerras dos homens bloqueiam qualquer resposta que venha de um universo harmonioso. Lembro-me de um dia lhe perguntar se aquelas pequenas guerras que eles travavam entre si serviam para alguma coisa? Sorriu e travámos este diálogo: --Servem para alimentar o ego, e pensarem que têm poder. --Mas assim destroem-se e mudam o movimento do universo! --O movimento do universo está para além da sua compreensão, o que eles na realidade alteram é o movimento da vida, alteram por completo o mundo que lhes foi dado para as suas experiências. No princípio de que nem eles sabem quando, embora façam imensas contas mentais, tudo estava em harmonia, tudo estava interligado. Um dia alguém teve a triste ideia que queria ter mais poder que o outro homem, para isso bastava criar meia dúzia de crenças para o prender, e nada melhor para o manter ignorante e preso a uma crença do que uma religião. Oficialmente estava criada a primeira religião que iria alimentar as pequenas guerras de poder dos homens, que iria durar séculos, até que o homem acorde do adormecimento colectivo em que mergulhou. Cada uma à sua maneira criaram um deus, mas todas se repetiram na escolha de um deus mártir, manipulador, mas distante do homem. Convinha que assim fosse, era mais fácil manipular a sua vontade, criar-lhe crenças que oscilam entre o céu e o inferno. Uma delas inventou um Adão e uma Eva para que o cenário fosse mais real, assim como também uma serpente para que o homem caísse nas suas próprias armadilhas e culpasse a serpente. Pecado foi nome que inventarem para essas armadilhas, que só podiam ser perdoados através do sacrifício e da ignorância. --Mas o “Professor” não intervém neste mundo de loucos? --Eles têm de aprender por si mesmos, a história que eles inventaram que o tal deus os castiga se não forem bonzinhos, e que faz todos os caminhos por eles, é pura ficção, como são as religiões que eles inventaram. --As pequenas guerras de poder tem alguma ligação com as religiões? --As religiões estão na base de todas as guerras do homem, porque alimentam um poder estruturado no ter, estruturado em dogmas doentios criados por pessoas mórbidas. Mas a decisão final é sempre do homem, não de qualquer religião institucionalizada feita por homens, criada num momento de fraqueza, não de força como querem fazer crer. Tudo o que se constrói na areia mais cedo ou mais tarde o vento leva. --Porque temos de lá voltar se aqui não há essas guerras? --A aula por hoje terminou. --O Professor não respondeu à minha pergunta…? --Qual pergunta…?” O meu Amigo Professor não faz caminhos, não responde a perguntas que não têm resposta. Mas há uma coisa que Ele faz, é despertar o homem quando ele está adormecido. Muitas vezes esse despertar é violento, porque ele está fragilizado em pequenas guerras de poder que só servem a ignorância. Hoje sinto que o homem trocou o movimento da vida, trocou aquilo que fazia sentido às suas experiências. Decidiu não aceitar o movimento real da vida, e fixar-se numa violência que atrasa o seu processo de evolução. Repetimos o mesmo padrão do passado. No passado matámos à espadeirada milhões de infiéis com a protecção de uma santa, e se essa protecção resultasse, essa santa tinha garantido um monte de pedras a que chamamos um mosteiro. Hoje tudo se repete, ainda não aprendemos a lição desse passado violento, porque repetimos a mesma violência de um passado ainda não entendido e esclarecido colectiva e individualmente. Os autores desse furor continuam na penumbra, alimentados através de um deus encapotado a sua sede de poder. Eles estão em todos os lugares chave da sociedade, tentam mostrar uma bondade que não têm, porque ainda fazem monumentos para a vaidade humana, e nós ainda caímos na armadilha de um passado que ainda, repito, não esclarecemos dentro de nós. Estas guerras alimentam o seu poder material, mas minam a destruição do próprio homem preso na armadilha de uma ilusão consentida. O meu Amigo carteiro diz que não alimenta as pequenas guerras do homem, por isso veio a este espaço e tempo com um “low profile”, passa despercebido entre os homens para que as guerras de poder não interfiram nas suas experiências. Amigos até à próxima volta do correio, e um grande abraço de Amor para todos vós. Mendigos da Luz Meu querido Amigo Professor, à distância daquilo que eu penso ser o tempo, um dia perguntei-lhe o que era a Luz. Lembro-me que me olhou profundamente nos meus olhos brilhantes e cheios de luz e disse. “ –A Luz é aquilo que os teus olhos mostram neste momento. Mostram a pureza de uma alma que ainda não está poluída pela luz insidiosa do “homem”, que alimenta o seu ego. --O Professor ensinou-nos a arte de pacificá-lo. Porque é que o “homem” não aprendeu? --Porque se tornou mendigo da luz, tornou-se naquilo que a sua mente lhe permitiu ser. --Quer dizer que ele se tornou escravo da sua própria mente? --Escravo da mente, escravo das muitas crenças que criou, escravo da escuridão, por isso raramente consegue ver a verdadeira Luz. A Luz que revela ao “homem” a vida, é a eterna Luz doirada que vem do fundo da sua alma, vive com ele desde sempre. Ela imite uma intensidade de energia que ultrapassa as densas camadas da matéria, ultrapassa a ignorância. O seu esplendor ilumina a terra do “homem” através das suas muitas vidas. Para sentir essa presença tão forte de energia, a mente tem que estar limpa de preconceitos, o corpo não sentir dor, a Alma com o seu gume de prata que brilha através da magia do Amor. O seu esplendor só se faz sentir, quando aquecer o coração do “homem”, e começar a sentir a idade da inocência. A Luz que o ilumina desde sempre não projecta sombras ao meio-dia, para que o seu irmão de percurso também tenha acesso a ela. Dá-lhe espaço para que ele também a possa receber. A Luz revela ao “homem” a origem de toda uma vida, das muitas vidas por ele vividas. Se há dor no “homem”, ele ainda não pode sentir a Luz, ainda não pode ver para além da ilusão. Ainda é mendigo da escuridão, ainda não sente o calor que ela emite do fundo da sua alma. Ele mendiga a Luz porque se deixou iludir com o brilho da ilusão, embora brilhe como o diamante, no entanto, é insidiosa. A ilusão confunde, baralha os seus sentidos, e deixa um rasto de dúvida e de medo. Por isso ele mendiga fora o que está dentro dele. Muitos são atraídos pela sua luz, ficam fascinados com a sua beleza. Tornam-se então uma presa fácil para o mundo das aparências, ficam escravos da sua luz, que cega os incautos caminhantes. Mas enquanto ele não pacificar a dor, a dor de um passado que não foi entendido, que não foi esclarecido, a Luz que lhe revela a sabedoria do mundo e a sua linguagem, nunca lhe será revelada.” O meu Amigo Professor ensinou-nos que o caminho da Luz é um caminho longo, e nem sempre fácil. Um só pensamento de um passado não entendido, leva-nos para um trilho sem sol e sem luz, é então que tudo começa de novo. Começamos tantas vezes, até não sentirmos mais o desejo do que fomos no passado. O “homem” é mendigo da Luz porque ainda não Ama, ainda separa aqueles que não pertencem ao seu circulo privilegiado de “pessoas de bem”. Hoje, uma médica ensinou-me como é possível ver a verdadeira Luz, como é possível ajudar os outros a redescobri-la através de um trabalho de Amor, num país longínquo em que os governos não estão interessados em ajudar, porque não existe riqueza aparente no seu subsolo. Esta “mulher” tem ajudado milhares de mulheres a ver a Luz, através das suas mãos impregnadas de Amor e de incenso. Ela não mendiga a Luz, conhece a Luz, já a viveu vezes sem fim. O seu currículo interno está cheio de imensas luzes, entenda-se por currículo interno, algo que não está poluído pelas muitas mentiras que colocamos nos nossos currículos de ilusão, que os mendigos luz tanto enfatizam. Uma pergunta surge do fundo do meu ser, porque somos tão egoístas, porque nos queixamos tanto, quando em várias partes do mundo alguém sofre, porque ainda não tivemos a coragem de a ajudar a sentir a Luz através do Amor. Cheguei à conclusão que ainda sou egoísta, mas estou a tentar melhorar essa minha fragilidade. Não me vou culpar por isso, porque não adianta mendigar, adianta sim ter coragem de assumir aquilo que ainda não ultrapassámos. Fazer de conta que somos aquilo que não somos, é pura ilusão da luz insidiosa que cega o crédulo caminhante. O meu Amigo “carteiro” está pacientemente sentado à espera que eu termine esta carta. Ele diz que as cartas escritas na Luz do Amor não têm principio nem fim, porque o que a alma escreve, simplesmente É… Amigos, um abraço e até à próxima volta do correio. Deus Existe! O Meu querido Amigo Professor, quando um dia lhe perguntei se Deus existe!...sorriu, e disse – “ De que Deus estás a falar!... Se é aquele que o “homem” criou, é pura ficção, ficção de quem ainda não tem conhecimento, se não tem conhecimento, como pode então falar e criar aquilo que não conhece?” Insisti – O Professor não respondeu à minha pergunta. Tu não queres uma resposta, tu queres que eu te afirme se Ele existe ou não. Vou contar-te uma pequena história. Um dia de manhã um aluno aproximou-se de mim e com autoridade de quem pensa que sabe diz: - Professor Deus existe. – Olhei-o nos olhos e disse para a sua mente racional. – Sim, Deus existe. A meio da manhã um outro aluno com a mesma postura aproxima-se de mim e diz: - Professor Deus não existe. Também o olhei nos olhos e disse para a sua mente racional. –Sim, Deus não existe. Ao fim do dia um outro aluno aproxima-se de mim, mas com uma postura de humildade, diferente dos outros dois, e diz: - Professor, uns dizem que Deus existe, outros porém dizem que não. Venho pedir que me ajude a entender se Ele existe ou não. – Não lhe disse uma palavra, ajoelhei-me, ele fez o mesmo. Passado algum tempo agradeceu e foi-se embora. -Professor, não entendendo a atitude que teve com os dois primeiros alunos, e muito menos com o terceiro! - O primeiro aluno tinha fé, mas fé não é conhecimento. Ele apenas queria ouvir dizer da minha boca que Deus existe, para poder dizer aos seus amigos com autoridade que Deus existe, e a prova é que o Professor confirma. Falei para a sua mente racional, que falou em nome do ego, porque foi ela que me fez a pergunta. O segundo aluno assumiu a mesma atitude, mas não tinha fé, era descrente. Mas nem a fé nem a descrença é conhecimento. E mais uma vez falei para a sua mente racional, para o seu ego. Também ele queria ouvir da minha boca que Deus não existia, tal como o outro queria dizer aos seus amigos que Deus não existia, e a prova é que eu tinha confirmado a sua não existência. O terceiro aluno teve a humildade de perguntar que não sabia se Ele existia ou não. Por isso procurava que eu o ajudasse. Não precisei de usar a palavra, apenas me ajoelhei, e ele sentindo que essa era a resposta também se ajoelhou. Quando sentiu que Deus se manifestava dentro dele através do meu silêncio, agradeceu-me e foi-se embora. Na realidade ele já tinha o Deus em que acreditava no fundo do seu coração, ou seja, é uma Energia que só pode ser sentida na quietude do caminho.” Mais uma vez as palavras do meu Amigo Professor soam em mim como um bálsamo em “terra de estrangeiros”, porque na realidade aqui somos todos estrangeiros, estamos aqui somente de passagem. Fala-se de Deus com uma leviandade impressionante. Quem fala Dele não o conhece. Os que O conhecem não falam Dele. As sociedades influenciadas pelas muitas religiões criaram um Deus rigoroso, castrador, violento e distante do “homem”. Esse Deus eu rejeito; rejeito aquilo que o “homem” criou sem qualquer consciência; sem qualquer sentido de Amor; sem qualquer sentido de compaixão. O Deus que o meu Amigo Professor fala – se é que não é Ele mesmo – é um Deus que eu sentia quando brincava nos Jardins Suspensos de Sabedoria, Jardins que todos nós conhecemos no estado de inocência, quando não tínhamos qualquer duvida que Deus existia, e se movia suavemente dentro de nós. O “homem” criou monstros de egoísmo dentro de si; criou paredes que o dividiu e o separou do outro “homem”; criou ignorância; criou dependências; criou medos; alimentou egos. Este é o deus pequenino criado pelo “homem pequenino”. O Deus em que eu acredito, é um “Deus Grande” criado por cada “Homem Grande” em liberdade. Foi esta liberdade que o meu Amigo Professor me ensinou. Ensinou-me e continua a ensinar que cada “homem” em liberdade tem de ir ao encontro do seu “Deus Grande” que não está dependente de religiões nem seus afins, mas do próprio “homem” O meu Amigo carteiro diz - que somente o Deus em que ele acredita o faz ser feliz aqui e agora. Até à próxima volta do correio. Seguir Caminhos Feitos O Meu querido Amigo Professor, um dia disse-nos: “Se queres aprender o que é a verdadeira vida, não sigas caminhos feitos por outros “homens”, escolhe em liberdade o teu. Tu podes realizar a tua própria redenção se permitires que assim seja. Não deixes que a tua mente seja hipnotizada com ideias que podem servir para outras pessoas mas não para ti, não pratiques técnicas que deformam o teu desenvolvimento. Não sigas líderes que conhecem apenas o caminho que eles mesmo percorreram, e que insistem em juntar nesse caminho todos aqueles que fazem a sua Procura seja ele apropriado ou não, e ingressares em grupos que obstruem a tua linha de crescimento natural A Procura Pessoal – Busca - nos tempos modernos: tem uma abundância de ensinamentos para escolheres – ou para confundir-te. Não deves apenas reconhecer as diferenças entre os “homens”, mas respeitá-las. Todos os Caminhos deveriam convergir uns com os outros, assim como todos, no final, têm de se juntar na mesma “Casa”. Quando a cautela se torna excessiva, ela se torna também um vício. Ela pode impedir que cometas erros, mas impede também que faças qualquer coisa, que procures em liberdade o teu próprio caminho.” As suas palavras soam nas minhas memórias, nas memórias de uma “criança” sem história do passado, nem apelo ao futuro. Sentia que era imensamente feliz, porque não existia a ganância das coisas, dos muitos desejos que absorvem a mente oscilante do “homem”. Ensinou-nos a sermos felizes com tudo o que vinha no nosso caminho. A tal aceitação que o “homem”ainda não conhece, porque tudo força, a tudo resiste, como se essa força e essa resistência o fizessem feliz. O Professor sabia do que falava, e explicou vezes sem fim o que era a vida, o que era ser feliz, o que era ser “criança”. Que fizemos nós? Trocámos através da razão o movimento e a ordem dos Universos, trocámos todas as “ferramentas” que nos deu, e começamos a seguir caminhos de “homens” que também estiveram a aprender tal como nós estamos. As “ferramentas” que nos deu traziam o conhecimento dos Universos, traziam o conhecimento e a interpretação da linguagem do mundo, e como usá-la. De tanta racionalidade esquecemos de Ser, esquecemos de sentir, esquecemos de viver. O puzzle continua com todas as suas peças intactas, só precisamos em liberdade de as saber colocar nos seus devidos lugares. Mas não esperes que seja o outro “homem” a colocá-las por ti, se por preguiça mental o permitires, vais permitir também que se instale em ti a sua confusão. O Professor disse-nos: “vais lá voltar para te divertires e aprender”. E que fizemos nós? Sobrevivemos atulhados em muitas coisas; deixámo-nos guiar por “cegos”; criámos uma dependência doentia por tudo aquilo que pensamos ser deus; alimentamos guerras também em nome de um deus fanatizado pela mente aterrorizada, aterrorizada de “homens” que não têm a menor ideia de quem são, e o que fazem neste espaço e tempo. Professor, será que os “homens” vão continuar e insistir em seguir líderes, pensando que és Tu? A resposta está aí! Mas cada um em liberdade tem de responder por si. O meu Amigo Carteiro está pacientemente sentado numa nuvem, deixando-se levar sem qualquer resistência. Esta é a palavra certa – sem qualquer resistência. Amigos se querem ter picos de felicidade escolham em liberdade o vosso próprio caminho. Até à próxima volta do correio. Se quiserem que os vossos amigos também recebam as cartas e a mensagem da semana de Carlos Campos, enviem-nos o seu correio electrónico, e ficaram também a receber estas cartas e mensagens. |