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O Espírito de Criança está no fundo da Alma; está no caminho do Espírito; está no caminho do homem.
Do fundo da minha Alma, estas palavras busquei, entre memórias das minhas muitas vidas.
Do fundo da minha Alma, estas imagens escolhi, entre os imensos quadros que pintei, duma galeria sem fim.
Encontrar Deus, é estar perto do Espírito de Criança.
Encontrar Deus, é encontrar a Unidade, é a integração do homem no Universo.
O meu Espírito de Criança está em cada palavra escrita, em cada cor transmitida, que só a Alma sente,
mas que o Espírito conhece.
Que o Espírito de Criança acorde a vossa Alma adormecida no tempo.
 
Escrito em Março 1994
 

Quando se aproximou de mim, reconheci-a pelo brilho intenso dos seus olhos, pela sua imensa coragem de me chamar de Amigo. Porquê eu?
Tínhamos caminhado juntos o tempo todo.
Nas minhas correrias sem fim nunca me apercebi da sua presença; que caminhava junto de mim; o quão grande era a sua Alma.
Agora que as minhas memórias do passado passam por mim velozes como o vento, revejo em mim o brilho intenso dos seus olhos, o sorriso irreverente do seu Espírito de Criança.
 
Quantas vezes essa  ela percorreu comigo os muitos caminhos que escolhi; as muitas desilusões que sofri; as rejeições constantes da sua Amizade!
Quantas vezes me indicou caminhos que tinham coração, e, eu escolhia aqueles que não o tinham!
Quantas vezes segurou o meu coração dorido de tanta procura e desespero!
Quantas vezes me abraçou sem nada exigir, apenas que me Amasse e fosse Feliz.
Quantas vezes me viu chorar, porque queria ser homem; mas também muitas vezes me viu chorar por já ser
homem, por já não ter um Espírito de Criança!
 
Sequei tinteiros a escrevinhar palavras sem fim, à procura de respostas, respostas que acalmassem a minha ânsia de desejo, respostas que acalmassem os caminhos que não entendia.
Hoje, estou cansado dos desencontros da vida, uma vida que eu teimo em não aceitar, uma vida que outros respiram por mim, como se alguém pudesse respirar por outro!
Hoje, tu voltas à minha vida com o mesmo sorriso irreverente, tal como o meu, nos tempos em que eu mostrava com um sorriso aberto a minha Alma, a minha Alegria, a minha Tranquilidade, a minha Quietude.
Hoje, estás diante de mim, não posso mais fugir, e acredita que mesmo que quisesse, já não tenho forças para o fazer.
 
--A vida é feita de muitos momentos, de muitos Amigos, de muitas experiências, de muitos sorrisos, mas também de muita dor, dor que o teu coração absorve, mas que a tua mente se revolta.
--Se sou dono do meu coração, porquê então a mente prevalece e se revolta?
--Quando abriste os olhos para o mundo que te ia receber temporariamente, eu vinha contigo, eu trazia o coração do tamanho do mundo, o coração de quem tem um Espírito de Criança, e assim permaneci em ti, e tu em mim.
Tu porém caminhaste comigo durante algum tempo, até que a mente te ordenou que a seguisses, ou então, a sociedade não tinha lugar para ti, não tinha lugar para um Espírito de Criança que segue sempre o seu coração.
 
A mente não sabe o que é um Espírito de Criança, porque não tem coração.
Não quer saber se tens um plano de vida, não quer saber quem tu realmente és, não quer saber se tu existes, não quer saber qual é a tua vontade.
Quer apenas usar-te, quer apenas que tu sigas o que ela já criou para ti.
 --Tu não fazes nada!
 -- Que pode um Espírito de Criança fazer?
 Quando a sociedade diz que sou irresponsável, que apenas vivo à custa da mente trabalhadora!
 A sociedade que criaram não consegue resistir ao ego, não consegue resistir às muitas coisas que lhe aliciam o caminho.
 
Um Espírito de Criança como eu dança num ventre de uma ousada mulher, que escolheu para ser sua mãe.
Projeta-se para fora do espaço e tempo.
Ri e brinca com os Amigos.
Não leva nada a sério, porque sabe que tudo não passa de um longo Jogo de constantes aprendizagens.
Não luta para fazer parte de uma sociedade, que vive de um passado carregado de emoções.
Não está dependente do bem e do mal, para ela tudo são experiências, tudo faz parte da sua longa vida.
Nunca dorme, para vigiar quem anda adormecido.
Sai pela calada da noite para seguir a voz do silêncio, a sua verdadeira fonte.
Nunca luta pela verdade, porque ela a verdade.
 Não alimenta religiões nem os fanatismos doentios.
Resiste à tentação do mundo aparente.
Não se ilude com a vaidade humana, porque ela sabe que lhe retira a visão do mundo Espiritual, a sua verdadeira origem.
--Porque perdi tudo isto!
--Não perdeste.
Se tivesses perdido eu não estava aqui contigo.
 --Os teus olhos não me enganam.
 Mas o meu coração está sofrido, sofrido porque escolhi muitos caminhos, mas nenhum teve o coração de que tu falas!
 Falas uma linguagem que a minha mente não entende.
Mas no fundo da minha Alma o meu coração diz-me que és tu.
Que podes fazer por mim?
--Nada meu querido Amigo!
Se alguma coisa há a fazer, és tu quem o tem de fazer, e não eu.
--Fazer o quê?
--Adormecer a mente.
Abrir o coração à vida.
Uma vida com muitos caminhos.
De muitas experiências.
De muitas mentes.
De muitas sociedades.
De muitas religiões.
De muitas crenças.
De muitos homens.
 Mas somente um coração, tão-somente um Espírito de Criança livre como o vento,
rebelde e livre como o rio que corre para o mar.
Livre como sempre vivi, tão perto e tão longe de ti.
-- Não podias ter-me acordado do meu longo sono?
--Como podes acordar alguém que não quer ser acordado!
--Esse sono é assim tão profundo?
--O sono que adormece a Alma errante não pertence aos poetas, e eu sou um poeta.
--Pensava que apenas tinhas um Espírito de Criança!
--Os poetas que escrevem com a Alma têm um Espírito de Criança.
--Apenas os poetas?
--Não, não apenas eles...tu também.
--Será possível ainda tomar essa consciência?
--Um filho nunca perde essa consciência.
--Filho?
--Estou a falar do teu verdadeiro filho, não o que vive pela mente, mas do outro que vive pelo coração,
que está neste momento à tua frente.
--Pensei...que fossemos irmãos!
--Que diferença faz?
Não são os filhos também irmãos, não são os irmãos também filhos!
--Falas uma linguagem simples.
 Diz o meu coração.
 A mente porém diz que és um sonhador que mal conhece a vida.
 A mente diz-se ser mais responsável do que um simples olhar irreverente de um Espírito de Criança,
que alimenta a tua Alma, não passa de uma fantasia.
--Tu falaste pela voz da mente, ela tomou o seu lugar aparente.
Traçou caminhos que tu seguiste, caminhos mentais cheios de armadilhas.
 Ela transformou-te num homem rigoroso, tão rigoroso que só entende o pouco que ela te transmite.
Transformou-te numa Alma fechada para o mundo, transformou-te num sorriso que não abre, numa vida não entendida.
--Mas a mente diz-me que a vida tem um fim, para  além dela nada mais existe!
 --A tua mente, mente.
Fala pela voz do intelecto.
Fala pela voz do ego.
Fala pela voz dos surdos de entendimento.
Fala pela voz do homem adormecido.
A maior das ilusões da mente que mente, é dizer ao homem que está acordado,
alimentando o seu ego, e a sua dita razão.
--Mas não é a mente parte do homem?
--Dizes bem, ela é uma parte, não o todo.
--Mas a mente reage em mim como um todo?
--Ela considera-se o todo, acima dela só ela mesmo.
--Muitos dizem que ela fala a língua dos sábios, do homem das letras.
--Quem sabe não fala, só fala quem é regido pela mente, que mente.
--Estás a dizer que ela é mentirosa?
--Um Espírito de Criança não se fixa na mente.
Não se fixa nas suas eloquentes palavras.
Não se fixa na sua intelectualidade.
Fixa-se no todo, fixa-se no Um.
Ela é a aparente, está cristalizada na ilusão de que o homem está acordado.
--Então ela sempre tem um lugar na vida do homem!
--Tem, e sempre teve. O homem é que não a entendeu, e assumiu-a como o todo, quando na realidade ela é apenas uma parte, não o todo como mundo da razão quer fazer querer.
 Nada funciona bem quando as peças são fragmentadas do todo.
Uma máquina só funciona, quando todas as suas peças estiverem integradas umas nas outras.
A mente não é diferente da máquina, ela só pode reagir conscientemente quando estiver integrada, não pode reagir conscientemente quando está fragmentada.
O homem reage mal à vida e escolhe muitos caminhos, porque se deixou fragmentar, desviou-se da Unidade.
Quando ele está fragmentado, perde o Espírito de Criança, perde o controle de si mesmo. Entra numa sociedade viciada e decadente, em que o fragmento é a lei da sobrevivência, em que a lei da sobrevivência é a lei do mais fraco.
 --Mas a mente é um elo fraco?
--Não, ela é um elo forte quando se integra no todo, quando não trabalha isolada; quando não usa o intelecto para escravizar o outro homem com palavras envenenadas de ódio e violência.
Quando não usa o poder para iludir os homens desejosos de auto importância; desejosos de quererem ser os primeiros nos jogos da vida, que é onde eles pensam que estão os homens de poder, da sociedade virtual que criaram apenas com a mente, que não emite os seus próprios raios de luz, apenas extensões, apenas fragmentos, porque está fragmentada.
--Então a mente pode ser perigosa?
--Tudo pode ser perigoso quando agimos isoladamente, quando se age como se o coração não existisse, como se a vida dependesse apenas da mente.
 --Mas os grandes homens do mundo usaram a mente para as suas descobertas.
--Somente com ela não chegavam ao cimo da Montanha do Conhecimento, não abriam a Alma adormecida no tempo.
Eles integraram todos os elementos da Natureza num só entendimento, numa só verdade, na Unidade.
Sentaram-se na Montanha do Conhecimento e deslizaram suavemente ao encontro de sabedoria, sem qualquer manifestação de medo, sem qualquer manifestação de egoísmo; sem qualquer manifestação do ego.
Apresentaram-se humildemente integrados na vida, sem qualquer máscara,
sem interferência do mundo exterior das circunstâncias.
 --A mente não interferiu?
--Ela quando pacificada deixa de ser mentirosa, integra-se na Unidade.
Age de acordo com as leis do Universo, com a Sabedoria do Mundo e a sua linguagem.
--Mas o homem mental diz que ela comanda; torna-o rico no mundo dos homens!
--Quando o homem surge num auditório para falar à multidão faminta de palavras, todos murmuram baixinho:
Ali está um homem mental de sucesso, dono do mundo da inteligência.
Só que esqueceram de um pormenor: ele também se tornou dono do próprio homem,
dono do homem limitado pela mente.
 --Como é que um Espírito de Criança sabe todas estas coisas, que o homem mental nem se apercebe que existem?
--Porque continua ligado à fonte, continua ligada ao  mundo que ultrapassa a razão, continua ligada à sua verdadeira origem, porque não deixou de ser quem é, apenas porque renasceu para outra vida, para uma outra experiência.
Ela continua a ser o que sempre foi: o filho a filha, o irmão a irmã, o pai a mãe, tudo num só entendimento.
Para ela esta é apenas mais uma forma de vida.
--O homem mental diz que, se mentalizarmos com muita força, e se repetirmos muitas vezes as mesmas coisas,
nós conseguimos o que queremos.
--E o que dizem eles que tu consegues?
--Eu já te disse, tudo.
--Mas é no tudo que o homem mental alicia as mentes pobres e enfraquecidas pelo seu longo sono, para lhes alimentar a aparência daquilo que não são, daquilo que não querem encarar, daquilo que têm medo.
--Mas o tudo é uma aparência?
--O tudo é só aparência, o tudo é o isco para os que querem subir rápido da vida; para não terem de trabalhar o todo; para os que não entendem que estão fragmentados desde o dia em que perderam o Estado de Inocência, desde o dia em se sentaram num canto do Universo à espera que a mente lhe resolva os problemas.
O Universo não é a mente, só com a mente o Universo não existia, não existia o homem, não existia a mente.
--Mas dizem que o poder da mente muda o homem!
 --Muda a sua atitude em relação à sociedade, que os recebe como heróis do poder da mente.
Mas não muda a sua atitude em relação à vida, não muda a consciência, que é mais um elemento do todo.
Um só elemento da Natureza não muda nada.
Um só elemento da Natureza não criou o Universo.
Um só elemento da Natureza não criou o homem.
Se não criou o homem também não criou a mente.
--Porque deixou Deus que os homens alimentassem o poder da mente como um todo,
como a única forma de os tornar sábios!
--Quem te disse que foi Deus?
--Não é Deus o dono do Universo!
--Deus não age isolado do Universo, faz parte do Universo, tal como tu e eu.
Porque havia Ele de interferir nos caminhos escolhidos pelo homem!
 Se Ele mesmo lhes deu a liberdade de fazer o que quisessem conforme a sua consciência, conforme o seu entendimento!
Ele não dá ao homem a consciência, ele não pode dar aquilo que lhe é inerente.
A consciência também é uma parte do todo, tal como a mente.
--Mas assim o homem fica dividido, de um lado:
Por uma mente que lhe mostra caminhos já feitos, e racionalmente explicáveis.
Por uma sociedade que segue a mente racional, como se ela fosse o todo.
Por intelectuais que se denominam senhores e donos da mente.
Por religiões que usam a mente para mentir e manipular
todos aqueles que se extraviam do seu chamado rebanho.
Por tradições que vivem agarradas a um passado violento e desatualizado.
 Do outro lado:
Uma consciência que não é um alongamento da mente, não se pode alongar uma coisa que é inerente ao próprio homem.
Um Espírito de Criança com tu, que baralha todos os jogos e, diz que o homem vive em fragmentos, que segue caminhos que não tem coração, que o homem apenas está aqui para aprender.
E depois de tudo isto ainda me dizes que a mente é mentirosa, porque ela não é o todo, mas apenas a parte do todo.
Onde fica o homem no meio de tantas divisões?
--Que divisões?
--És tu que dizes que o homem está dividido.
--Eu?--Sim tu o que tem um Espírito de Criança.
Que tem olhos brilhantes e profundos como o mar.
Que alimenta a Alma com Amor.
Que não vive das aparências do mundo.
Que se manifesta pela Consciência...
--Eu...apenas tenho estado a ver para além da mente, as guerras que estás a travar dentro de ti mesmo, com tantas perguntas e respostas, são feitas e dadas por ti.
Que já confundiste a tua mente que mente.
Já não sabes quem falou, se fui eu, se foste tu!
--A minha mente diz que foste tu quem falou.
Estás a tentar confundir-me a minha mente!
--A tua mente, sempre a tua mente.
 Meu bom Amigo projeta as tuas imensas vidas:
Para além do mundo aparente.
Para além do que é racionalmente explicável.
Para além da Eternidade.
--Mas não eras tu que estavas a falar comigo?
--Já te disse que apenas fui ao fundo os teus olhos, ao fundo da tua Alma, e observei, fui um observador.
E como quem sabe não fala, eu apenas brinquei com o teu Espírito de Criança, ela pediu-me, não pude resistir ao seu pedido.
--E então eu!
--Tu o quê?
--Sim...eu, onde fico no meio das vossas brincadeiras!
--Ah...onde ficas?
 --Tu passaste o tempo do tempo a jogar ao poder da mente que mente, dona da verdade.
Eu apenas segui a consciência que alimenta as brincadeiras de um Espírito de Criança; que alimenta a Alma do mundo; que alimenta a mente; que alimenta o homem; que alimenta as suas muitas vidas;
que alimenta as suas memórias; que integram a Unidade.
Quando o homem perde a integração, perde a Unidade, perde o sentido da vida.
 Senti que os seus olhos resplandeciam Luz, Amor e uma Primavera que há muito eu tinha perdido nos caminhos do tempo, para ganhar tempo, como se ele existisse.
O seu sorriso irreverente de Criança entrou bem fundo na minha Alma, e se fundiu numa só, fundiu-se no Um.
Deu-me a mão, caminhámos juntos o caminho que nos conduzia à Montanha;
o caminho da Sabedoria; o caminho da Verdade.
Deixei de ter medo de perder a Vida, porque sabia que logo uma outra estava no meu caminho.
Deixei de ter medo de não ser aceite na sociedade dos homens.
Agora voltava a ter um Espírito de Criança.
Voltava a integrar o Um que tinha fragmentado ao longo do tempo, tudo o que tinha desligado do mundo da minha Alma estava novamente integrado.
 Já a noite se perfilava no horizonte do mundo dos homens grandes, para que no outro lado do mundo outro milagre se repetisse, se repetisse neste imenso Universo, dos muitos Universos ainda por descobrir.
Não era a mente do homem que tinha criado este maravilhoso milagre, mas sim o Espírito de Criança de um Criador atento, que habita em mim, e em todos os homens, sejam eles mentais ou espirituais, porque todos eles são parte de um todo, só o todo constrói milagres, a Unidade é um milagre que não pode ser fragmentada.
A minha Criança olhou profundamente os meus olhos inocentes e irreverentes,
como só um Espírito de Criança sabe olhar.
Um olhar profundo que vem do fundo da Alma, uma Alma que só o Espírito alimenta e entende.
A essência pura, a consciência pura de um Universo perfeito, que até poderemos chamar Deus, mas de um Deus tão profundo, que a minha Alma diz que é Ele, e, eu “nu” de preconceitos, e tão somente com o meu  Espírito de Criança, acredito.
 
                     
 
 
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